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Atualização: Lavagem da Escadaria do Bixiga em SP reafirma cultura negra
Imagem: Reprodução
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Atualização: Lavagem da Escadaria do Bixiga em SP reafirma cultura negra

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Na noite de 13 de maio de 2026, a Lavagem da Escadaria do Bixiga reafirmou a presença negra no centro de São Paulo. O evento, liderado pelo bloco afro Ilú Obá de Min, reuniu um cortejo majoritariamente feminino que percorreu as ruas do Bixiga, espalhando água de cheiro e ecoando o som de tambores.

Realizada anualmente desde 2006, a manifestação ocorre no dia que marca a Abolição da Escravatura, celebrada pela Lei Áurea de 1888. Segundo Beth Beli, presidenta e regente do bloco, o ato busca “iluminar nossas narrativas e recontar a história” das mulheres negras, que sempre estiveram na linha de frente das lutas por liberdade.

Um ato de resistência e memória

O Bixiga, conhecido por suas cantinas italianas, foi um importante território negro em São Paulo, onde existiu o Quilombo Saracura. Durante o cortejo, o bloco destacou que a região nunca foi apenas italiana, mas sempre esteve ligada à cultura africana e ao surgimento do samba paulistano.

Em um manifesto lido durante o ato, o Ilú Obá de Min enfatizou a luta histórica das mulheres negras, que continuam a se organizar contra diversas formas de opressão, como racismo e machismo. “Rejeitamos o legado cruel do colonialismo e da dominação branca”, afirmaram os participantes.

Após a leitura do manifesto, o cortejo seguiu pelas ruas, lavando-as com água de cheiro. Esse gesto simboliza a força da presença negra no território, que não deve ser apagada. “Essa é a lavagem da rua da mentira, porque a gente entende que o que ocorreu foi uma falsa abolição”, ressaltou uma das organizadoras.

A tradição da lavagem foi iniciada pelo coletivo Ori Axé e, atualmente, é mantida pelo Ilú Obá de Min, que completou 20 anos em 2024. O bloco, formado por 420 integrantes, abre as celebrações do carnaval de rua em São Paulo, reafirmando a importância da cultura negra na cidade.

“A lavagem é um feitiço para limpar as mazelas deixadas pela escravidão”, concluiu Beth Beli. O evento, além de celebrar a cultura, é um ato de resistência e memória, que busca resgatar e valorizar as origens africanas na história do Brasil.

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