A pré-candidatura de Ronaldo Caiado (PSD) ao Palácio do Planalto enfrenta um desafio significativo: a falta de palanques competitivos em estados cruciais para a eleição. Com a polarização entre o presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o ex-governador de Goiás se vê isolado em um cenário político complexo, a poucos meses do início da campanha.
Um dos casos mais emblemáticos ocorre no Rio de Janeiro, onde o ex-prefeito Eduardo Paes (PSD) já declarou apoio à reeleição de Lula. Essa decisão pode dificultar a construção de uma candidatura de “terceira via” no estado, que possui forte influência do bolsonarismo, segundo aliados de Caiado.
Desafios em Minas Gerais e Pernambuco
Em Minas Gerais, a situação não é favorável para Caiado. O governador Mateus Simões (PSD), que busca a reeleição, deve continuar ao lado de Romeu Zema (Novo), seu principal aliado. Dirigentes do PSD afirmam que esse compromisso foi firmado antes da candidatura presidencial de Caiado, complicando ainda mais sua estratégia.
Em Pernambuco, a governadora Raquel Lyra (PSD) também não deve apoiar Caiado. Ela prioriza a relação com Lula para fortalecer sua reeleição. Durante uma visita ao Recife, Caiado evitou pressioná-la e mencionou a possibilidade de formar um palanque próprio, caso a governadora mantenha uma posição neutra.
O isolamento de Caiado se estende a São Paulo, o maior colégio eleitoral do país. O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) está alinhado com a candidatura de Flávio Bolsonaro, o que limita as opções de apoio para o pré-candidato do PSD. A estratégia do presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, é tentar dissociar as campanhas estaduais da disputa presidencial.
Kassab acredita que as eleições presidenciais dependem menos de acordos estaduais do que em pleitos anteriores. Caiado, por sua vez, afirma respeitar a autonomia dos diretórios estaduais e acredita que o PSD conseguirá construir um palanque em todas as unidades da Federação. No entanto, o pré-candidato inicia sua corrida ao Planalto sem o apoio dos principais nomes da legenda em estados decisivos, o que pode dificultar a nacionalização de sua campanha.











