O mercado internacional de açúcar encerrou a semana em queda, influenciado por uma série de fatores que pressionaram os preços da commodity. A desvalorização do petróleo, a valorização do real frente ao dólar e a melhora nas perspectivas para a safra indiana foram determinantes para essa tendência negativa, refletindo também no mercado físico brasileiro, onde o açúcar cristal apresentou recuo em suas cotações.
Na ICE Futures US, os contratos futuros do açúcar bruto fecharam a sexta-feira em baixa, com o contrato de outubro de 2026 recuando para 14,88 cents de dólar por libra-peso. Essa desvalorização é um reflexo de um movimento vendedor que se espalhou por toda a curva futura, evidenciando a pressão sobre o setor sucroenergético.
Impactos no mercado físico e na produção
No Brasil, o indicador CEPEA/ESALQ para o açúcar cristal branco em São Paulo também seguiu a tendência de baixa, com a saca de 50 quilos sendo negociada a R$ 91,21. Esse cenário é resultado do aumento da oferta disponível e da cautela dos compradores diante das perspectivas internacionais, o que pode afetar diretamente a renda dos produtores rurais.
A queda nos preços do petróleo também teve um papel significativo, pois diminui a competitividade do etanol, levando as usinas a direcionarem mais cana-de-açúcar para a produção de açúcar. Essa mudança pode resultar em um aumento da oferta global, pressionando ainda mais os preços.
As condições climáticas na Índia, que melhoraram recentemente, também contribuíram para a queda das cotações. A diminuição do déficit de chuvas durante a temporada de monções trouxe alívio ao mercado, reduzindo as preocupações com a produção do segundo maior produtor mundial de açúcar.
Embora a pressão sobre os preços seja evidente, especialistas acreditam que o pior pode já ter ficado para trás. A recuperação das cotações dependerá da evolução das safras na Índia e na Tailândia, além das condições climáticas no Brasil. A gestão de risco se torna essencial para os produtores, que precisam garantir margens satisfatórias em um cenário de alta volatilidade.
Os contratos futuros enfrentam resistência em níveis técnicos importantes, e a capacidade de romper essas barreiras será crucial para a recuperação do mercado. O acompanhamento das condições globais e das principais regiões produtoras será fundamental para definir a direção dos preços do açúcar no segundo semestre.











