O mercado internacional do açúcar encerrou a semana pressionado pela oferta global crescente, com a safra brasileira avançando e incertezas climáticas e geopolíticas no horizonte. Essa situação gerou um ambiente volátil, onde a liquidez permanece baixa e os preços não apresentam sinais claros de recuperação.
Na Bolsa de Nova York, o contrato de açúcar bruto para julho de 2026 fechou a sexta-feira cotado a 14,70 centavos de dólar por libra-peso, após oscilações que chegaram a 14,91 centavos durante o pregão. Embora a perda acumulada na semana tenha sido modesta, o mercado continua sem direção definida, refletindo a cautela dos investidores.
Oferta global e clima: fatores de pressão
A pressão sobre os preços internacionais é intensificada pelos dados das exportações da Tailândia, que aumentaram 29% no primeiro quadrimestre de 2026, totalizando cerca de 1,6 milhão de toneladas. Esse aumento na oferta global está refletindo diretamente nas cotações do açúcar, tanto em Nova York quanto em Londres.
Além disso, o fenômeno El Niño continua a ser uma preocupação para os produtores. A previsão de sua persistência até o final do ano pode impactar regiões-chave de produção no Brasil, Índia e Tailândia. No Centro-Sul brasileiro, o clima seco favoreceu a moagem, mas chuvas em algumas áreas provocaram paralisações pontuais nas usinas.
Outro aspecto que preocupa o setor é a relação entre os preços do açúcar e os custos de produção. Com o dólar em torno de R$ 5,02 e custos elevados, o açúcar está sendo negociado cerca de 300 pontos abaixo do custo total estimado, aumentando a tensão entre usinas e exportadores.
Perspectivas para o futuro
Apesar do cenário desafiador, fatores como o preço do petróleo e as condições climáticas podem alterar a dinâmica do mercado. O petróleo Brent, próximo de US$ 104 por barril, pode influenciar o etanol e, consequentemente, a precificação do açúcar, já que ambos operam em paridade.
Analistas também destacam que o contrato de julho de 2026 está próximo de médias móveis importantes, indicando uma resistência técnica. Superar essa faixa pode abrir espaço para uma recuperação dos preços, enquanto o mercado continua a ser afetado por fatores externos, como clima e geopolítica.











