A agricultura regenerativa vem se consolidando no Brasil como uma alternativa viável para a construção de sistemas produtivos sustentáveis e de baixo carbono. No entanto, a transição para essas práticas ainda enfrenta desafios significativos, que vão desde questões econômicas até a necessidade de novas políticas de apoio ao produtor rural.
A Dra. Eliana Fontes, pesquisadora da Embrapa e coordenadora do Projeto Regenera Cerrado, destaca que o Brasil possui um potencial único para liderar a agenda global de sustentabilidade agrícola. Para isso, é fundamental integrar inovação, governança de dados e políticas públicas que incentivem a adoção de práticas regenerativas.
Desafios da Transição para a Agricultura Regenerativa
Produtores que adotam práticas regenerativas e investem na gestão de dados estão se preparando melhor para um futuro com regulamentações mais rigorosas, especialmente com a possível consolidação do mercado de carbono no Brasil. A Dra. Fontes ressalta que o diferencial competitivo está na capacidade de monitorar e comprovar os resultados obtidos no campo.
Entretanto, muitos produtores enfrentam o chamado “vale da transição”, onde os custos iniciais são elevados e os benefícios financeiros demoram a se concretizar. Esse cenário pode desestimular a adoção em larga escala das práticas regenerativas, que são essenciais para a sustentabilidade do setor.
Outro obstáculo significativo é a falta de métricas padronizadas e sistemas de certificação reconhecidos para produtos provenientes de sistemas regenerativos. Isso dificulta a valorização e a diferenciação desses produtos no mercado, enquanto a agricultura convencional ainda se beneficia de cadeias de insumos e financiamento consolidadas.
A Importância dos Dados e da Tecnologia
A transformação de dados ambientais em ativos estratégicos é vista como um passo crucial para a evolução do setor. A simplificação das informações coletadas no campo e a criação de indicadores claros podem aumentar a confiança de compradores e investidores, além de facilitar a tomada de decisões produtivas.
A escalabilidade da agricultura regenerativa depende da colaboração entre pesquisa científica, empresas e produtores, com o suporte de tecnologias digitais. A Dra. Fontes enfatiza que a inovação precisa chegar à ponta, ou seja, ao produtor rural, para que os benefícios sejam amplamente sentidos.
Com a crescente demanda global por alimentos com menor pegada de carbono, o Brasil está bem posicionado para liderar essa transição. No entanto, é essencial que o país avance em políticas públicas claras e no uso de bioinsumos, além de desenvolver ferramentas digitais que ajudem na monitorização das práticas agrícolas.











