Uma transmissão de rádio realizada em Uberlândia transformou a vida de duas pessoas que estavam a mais de 10 mil quilômetros de distância. A história de amor entre a ex-locutora Luzia Donato Olsson e o sueco Nils Åke Olsson começou nos anos 1960, quando ele ouviu sua voz na rádio Educadora FM, enviou uma carta e iniciou uma troca de correspondências que culminou em casamento e quase seis décadas juntos.
Antes da era digital, o casal construiu uma conexão por meio de cartas que levavam meses para cruzar o Atlântico. O que começou como uma amizade entre uma locutora brasileira e um ouvinte sueco se transformou em uma história que desafiou fronteiras e o tempo.
Na década de 1960, Luzia apresentava o programa jovem “Os Brotos Comandam” na Rádio Educadora de Uberlândia. O sinal de ondas curtas permitia que ouvintes de diferentes países, como Nils, um jovem sueco apaixonado por rádio, sintonizassem a emissora. Ele mantinha um catálogo de rádios internacionais e, ao ouvir Luzia, decidiu escrever para a rádio, dando início a uma correspondência que mudaria suas vidas.
Como ambos não falavam a língua um do outro, a comunicação era feita em inglês, com as cartas levando cerca de um mês para chegar. Após dez meses de troca de mensagens, Nils pediu Luzia em casamento, e ela aceitou sem hesitar, apesar das diferenças culturais.
O primeiro encontro aconteceu no Aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro, onde Luzia o reconheceu entre os passageiros. Nils passou três meses no Brasil, onde o casal viajou e oficializou o noivado. Após retornar à Suécia, Nils decidiu que, se Luzia não viria para ele, ele iria para o Brasil. Anos depois, em 1972, ele se mudou definitivamente para o país, e juntos abriram uma loja de discos que permanece em atividade até hoje.
Atualmente, Nils, de 81 anos, se considera parte da cultura brasileira, torcendo pelo Flamengo e acompanhando o futebol. Ele acredita que sua relação com Luzia, hoje com 82 anos, não foi um acaso, mas uma escolha consciente de amor que perdura ao longo dos anos. Para ele, o amor verdadeiro exige esforço de ambas as partes e, em um eventual confronto entre Brasil e Suécia, sua torcida é incondicionalmente pelo Brasil, em homenagem à história que construiu ao lado de Luzia.











