A Anthropic, criadora do chatbot Claude, prepara uma abertura de capital que pode se tornar a maior da história. A empresa poderá alcançar uma avaliação de US$ 2 trilhões, cerca de R$ 10,5 trilhões, e captar mais de US$ 100 bilhões, o equivalente a R$ 525 bilhões.
Os documentos apresentados pela companhia também mostram o custo da expansão. Apesar do forte crescimento da receita, a Anthropic registrou prejuízo superior a US$ 80,7 bilhões no primeiro semestre de 2026.
Entre janeiro e junho, a receita chegou a US$ 16,3 bilhões, aproximadamente R$ 85,6 bilhões, 14 vezes mais do que no mesmo período do ano anterior. O avanço foi impulsionado principalmente por empresas que adotaram as ferramentas de inteligência artificial da companhia.
No mesmo semestre, a Anthropic acumulou prejuízo superior a US$ 80,7 bilhões, cerca de R$ 423,7 bilhões, ante US$ 13 bilhões um ano antes. O resultado inclui um encargo extraordinário de US$ 72,4 bilhões, aproximadamente R$ 380,1 bilhões, relacionado a notas conversíveis — um tipo de dívida que pode ser transformado em participação acionária.
A valorização desses instrumentos ampliou a perda contábil, que não corresponde necessariamente a uma saída de caixa no mesmo valor. A Anthropic já havia captado cerca de US$ 130 bilhões, ou R$ 682,5 bilhões, em investimentos privados. A possível estreia na bolsa pode aumentar ainda mais os recursos disponíveis para financiar o crescimento da empresa.
Se levantar mais de US$ 100 bilhões, a Anthropic poderá superar a SpaceX, de Elon Musk, e estabelecer um novo recorde de abertura de capital. Em maio, a empresa já havia ultrapassado a OpenAI em avaliação de mercado: US$ 900 bilhões, cerca de R$ 4,725 trilhões, contra US$ 730 bilhões, aproximadamente R$ 3,83 trilhões, da concorrente.
A OpenAI também avalia uma nova rodada de financiamento que poderia elevar seu valor a US$ 1,5 trilhão, cerca de R$ 7,875 trilhões, antes de uma eventual oferta pública de ações.
A operação da Anthropic será coordenada pelos bancos Goldman Sachs e Morgan Stanley. A empresa ainda não informou quantas ações pretende vender nem definiu o preço dos papéis, mas planeja negociá-los na Nasdaq sob o código ANT.
O documento corporativo também aborda possíveis consequências negativas da inteligência artificial, como a perda de controle sobre sistemas e o uso da tecnologia para abusos autoritários.
“Acreditamos que a IA é uma das tecnologias mais importantes da história da humanidade”, afirmaram Dario Amodei, presidente-executivo da Anthropic, e os outros seis fundadores.
Em outro trecho, os executivos destacaram a dualidade da tecnologia: “Criar IA é aproveitar a própria cognição, e algo tão poderoso pode ser usado tanto para o bem quanto para o mal”.
Amodei defende maior atenção à segurança e à regulamentação da inteligência artificial. A posição provocou críticas de outros líderes do setor, incluindo Jensen Huang, da Nvidia, e Mark Zuckerberg, da Meta, que o acusaram de tentar concentrar o poder sobre a tecnologia.
Fundada em 2021 por ex-funcionários da OpenAI que divergiam sobre como desenvolver a inteligência artificial, a Anthropic ganhou espaço no mercado com ferramentas de programação, que ajudaram a empresa a conquistar clientes corporativos e acelerar o crescimento.
O cenário, porém, permanece incerto. Outras companhias adiaram planos de abertura de capital diante das dúvidas sobre o retorno dos investimentos em inteligência artificial.











