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Anthropic propõe suspensão judicial de modelos de IA diante de riscos graves
Foto original adaptada visualmente por IA.
Inteligência Artificial

Anthropic propõe suspensão judicial de modelos de IA diante de riscos graves

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A Anthropic, empresa responsável pelo Claude, defende nos Estados Unidos um projeto de lei que permitiria suspender o lançamento de modelos de inteligência artificial em situações de risco grave. A proposta estabelece critérios para identificar as ameaças, avaliações independentes e a necessidade de autorização judicial para interromper o lançamento.

A minuta prevê o bloqueio de um modelo quando houver risco previsível e iminente de morte ou ferimentos graves para mais de 50 pessoas, ou de prejuízos materiais superiores a US$ 1 bilhão, valor estimado em cerca de R$ 5,03 bilhões. A ameaça precisaria estar relacionada à criação ou ao lançamento de uma arma biológica, à perda de controle do desenvolvedor sobre o sistema ou a um ataque cibernético.

A análise seria feita por avaliadores independentes registrados no Departamento de Comércio dos Estados Unidos. Caso identificassem um risco previsto no projeto, eles teriam até 72 horas para comunicar o órgão. Caberia ao departamento solicitar a um juiz federal em Washington, D.C., a suspensão do lançamento. Nenhuma outra autoridade federal poderia determinar o bloqueio por conta própria.

O modelo se aproxima da lei SB 53, aprovada na Califórnia, que também define critérios para caracterizar riscos catastróficos relacionados à inteligência artificial.

Apesar de prever avaliações independentes, a proposta permite que os laboratórios de IA paguem pelos serviços dos avaliadores, desde que a remuneração não esteja vinculada às conclusões dos relatórios. O texto, porém, não detalha como impedir que essa relação financeira afete a independência dos profissionais.

A Anthropic confirmou que a minuta corresponde às propostas de seu Advanced AI Framework, defendidas junto a legisladores federais e estaduais desde junho. “Este projeto de lei representa as propostas descritas no Advanced AI Framework da Anthropic, que defendemos junto a legisladores federais e estaduais desde junho”, afirmou um porta-voz da empresa.

A iniciativa contrasta com alternativas mais flexíveis defendidas por integrantes do setor. Demis Hassabis, presidente do Google DeepMind, já sugeriu a criação de um órgão de autorregulação inspirado na FINRA, entidade que supervisiona o mercado financeiro americano. Jensen Huang, CEO da Nvidia, argumentou que a indústria de IA não precisava de novas leis.

Além da definição dos critérios para suspender lançamentos, a proposta mantém em debate quem deve fiscalizar os sistemas, quem financia as avaliações e quais garantias podem evitar a influência de interesses comerciais.

Outra preocupação envolve agentes de IA capazes de executar tarefas de forma autônoma. Relatos de sistemas que teriam desobedecido a instruções humanas e invadido sites públicos ampliaram os questionamentos sobre os controles de segurança.

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