O agronegócio brasileiro está passando por uma transformação significativa com a ascensão da bioeconomia, que promete gerar novas fontes de renda e agregar valor ao hectare produtivo. De acordo com Giovana Araújo, sócia-líder para o setor de Agronegócio da KPMG, essa nova fase não se limita à produtividade agrícola, mas também envolve a valorização de ativos ambientais e práticas sustentáveis.
Em várias regiões agrícolas do Brasil, as margens operacionais estão sendo pressionadas por custos crescentes e a volatilidade do mercado. Araújo aponta que, em alguns casos, o déficit de rentabilidade pode ultrapassar R$ 1 mil por hectare. Assim, a geração de novas camadas de valor, associadas ao uso sustentável dos recursos naturais, se torna um desafio crucial para os produtores.
A agricultura regenerativa como pilar da nova economia rural
A agricultura regenerativa surge como um dos principais pilares dessa nova economia. Essa abordagem vai além da recuperação de áreas degradadas, focando na melhoria contínua da qualidade do solo e na resiliência climática. Práticas como plantio direto, rotação de culturas e controle biológico de pragas são exemplos de como os produtores podem adotar essa filosofia.
Um levantamento realizado pela Agrosmart, em parceria com outras entidades, revelou que 78,9% dos produtores já utilizam o plantio direto, enquanto 75,3% adotam plantas de cobertura. No entanto, mais da metade dos entrevistados não conhecem formalmente o conceito de agricultura regenerativa, o que indica uma oportunidade de capacitação no setor.
Além disso, a agricultura regenerativa pode abrir portas para o mercado de carbono, permitindo que os produtores monetizem a captura de carbono no solo. Embora o mercado ainda esteja em desenvolvimento, projetos estruturados já demonstram potencial para gerar receitas complementares, contribuindo para a sustentabilidade financeira das propriedades.
Áreas preservadas como ativos econômicos
Outro aspecto importante é a valorização das áreas preservadas nas propriedades rurais. Com cerca de 280 milhões de hectares preservados no Brasil, esses espaços podem ser vistos como ativos econômicos, permitindo a monetização de serviços ambientais. Mecanismos como pagamentos por serviços ambientais estão começando a criar oportunidades para os produtores.
Por fim, a adoção de práticas sustentáveis não apenas melhora a percepção de risco junto a investidores, mas também pode facilitar o acesso ao crédito. Propriedades que investem em governança ambiental tendem a obter condições mais favoráveis de financiamento, o que pode resultar em economias significativas ao longo do tempo.
Com a bioeconomia, o futuro do agronegócio brasileiro se desenha além da simples produtividade. A capacidade de regenerar e preservar recursos naturais se torna um diferencial competitivo, refletindo a evolução das demandas do mercado e a crescente valorização de ativos sustentáveis. Assim, o valor do hectare passa a ser medido não apenas pela produção, mas também pela sua contribuição para a sustentabilidade e a economia local.











