A Boeing foi escolhida pela Marinha dos Estados Unidos para desenvolver o F/A-XX, caça de sexta geração que deverá substituir a frota de F/A-18 Super Hornet. O contrato é avaliado em US$ 20 bilhões, o equivalente a cerca de R$ 109 bilhões, segundo o New Atlas.
O acordo prevê que a empresa projete, construa e entregue a nova aeronave à Marinha. De acordo com a Boeing, o F/A-XX deverá contar com arquitetura aberta para os sistemas de missão, recursos avançados, maior alcance e capacidade operacional ampliada.
Os detalhes técnicos do projeto, porém, ainda não foram divulgados. A Boeing afirma que as informações técnicas e programáticas do F/A-XX permanecem classificadas devido às leis de segurança nacional e de controle de exportações dos Estados Unidos.
Imagens divulgadas pela Marinha e pela Boeing permitem observar alguns elementos do caça. A aeronave aparece com uma fuselagem mais larga do que a de muitos aviões de combate atuais. Segundo o New Atlas, essa característica pode estar relacionada à necessidade de transportar mais armamentos internamente e armazenar combustível suficiente para alcançar cerca de 1.296 quilômetros.
O desenho também apresenta superfícies chamadas de chines, extensões ao longo da fuselagem que podem melhorar a aerodinâmica e aumentar a sustentação. Em uma aeronave embarcada em porta-aviões, esse recurso é considerado relevante. As estruturas também podem contribuir para a furtividade ao desviar sinais de radar.
As imagens sugerem ainda a presença de pequenas superfícies de controle na parte dianteira, conhecidas como canards. Elas podem melhorar o controle da aeronave em baixas velocidades, condição importante durante pousos em porta-aviões, mas também podem representar um possível compromisso com a furtividade.
Outro aspecto observado é a ausência de uma cauda convencional. Em vez de um estabilizador traseiro tradicional, o projeto parece utilizar superfícies integradas às asas para realizar funções de controle da aeronave.
O cockpit aparece bastante integrado à fuselagem. O New Atlas aponta que o formato da cabine pode limitar a visão traseira direta do piloto, o que ajudaria a explicar a possível adoção de sensores avançados e de um sistema montado no capacete para ampliar a percepção do entorno da aeronave.
O F/A-XX não será simplesmente uma versão naval do futuro caça de sexta geração desenvolvido para a Força Aérea dos Estados Unidos. Segundo o New Atlas, as duas Forças têm necessidades diferentes.
A Força Aérea busca uma aeronave voltada principalmente à superioridade aérea e à interceptação. Já a Marinha precisa de um caça multifunção capaz de operar a partir de porta-aviões, realizar missões de ataque e combater alvos de superfície.
As operações embarcadas também impõem exigências específicas. O avião deverá suportar lançamentos por catapulta e pousos com cabos de retenção, além de resistir aos efeitos corrosivos da água salgada. Essas condições exigem uma estrutura mais robusta, com impactos sobre o peso, o alcance e a capacidade de carga.
O projeto também precisa reservar espaço para transportar armas e combustível suficientes para as missões realizadas a partir de porta-aviões.
A escolha do F/A-XX representa a segunda vitória da Boeing em programas norte-americanos de caças de sexta geração. A primeira ocorreu em 2025, quando a empresa foi selecionada para desenvolver o F-47 para a Força Aérea dos Estados Unidos.
Segundo a Boeing, a companhia se preparou para desenvolver os dois projetos simultaneamente. “É uma honra sermos selecionados para produzir a primeira plataforma de sexta geração da Marinha”, afirmou Steve Parker, presidente e CEO da Boeing Defense, Space & Security.
A empresa também está construindo uma nova instalação de fabricação segura em St. Louis, nos Estados Unidos. A Boeing descreve o local como a maior estrutura desse tipo no país. A unidade fará parte de um sistema digital de projeto e fabricação aeroespacial.
Por enquanto, grande parte do F/A-XX continua protegida pelo sigilo militar. O que foi revelado indica um caça de grandes dimensões, com desenho voltado à furtividade e às operações em porta-aviões, mas as principais características técnicas ainda permanecem classificadas.











