O mercado do boi gordo brasileiro enfrenta um cenário de volatilidade após a previsão de fim da cota de importação chinesa, que pode impactar diretamente as exportações e os preços da carne bovina. Segundo o relatório Agro Mensal de junho, divulgado pela Consultoria Agro do Itaú BBA, a demanda internacional ainda se mantém forte, mas a incerteza sobre as compras da China gera preocupações para o setor.
Embora os preços do boi gordo tenham registrado uma queda de 3,9% em maio, a recuperação no início de junho trouxe um novo ânimo, com a cotação média alcançando R$ 354 por arroba. A China, que representa 51% das exportações brasileiras, continua sendo o principal destino da carne bovina, com um aumento de 24% nos embarques entre janeiro e maio deste ano em comparação ao mesmo período de 2025.
Impactos da Retenção de Fêmeas e Ciclo de Valorização
Outro fator que contribui para a valorização do setor é a retenção de fêmeas no rebanho, uma estratégia comum em fases de reconstrução pecuária. Dados do IBGE indicam que, apesar do aumento de 3,3% nos abates no primeiro trimestre de 2026, a participação de fêmeas nos frigoríficos diminuiu, resultando em um crescimento de 5,1% na produção de carne.
Além disso, o mercado de reposição está aquecido, com o preço do bezerro subindo 2% em maio. Esse movimento é visto como um sinal positivo para a valorização futura da pecuária brasileira, uma vez que reduz a disponibilidade de animais para abate nos próximos anos.
Com a iminente conclusão da cota chinesa, o setor está em alerta. A expectativa é que, caso o limite de compras seja atingido, haja um ajuste na demanda externa, especialmente no terceiro trimestre, quando a oferta de animais terminados tende a diminuir. Essa situação já é refletida nos contratos futuros na B3, que indicam um desconto de cerca de R$ 10 por arroba entre os meses de junho e julho.
Os analistas do Itaú BBA acreditam que, apesar das oscilações esperadas, os fundamentos estruturais do mercado permanecem positivos. A menor disponibilidade global de carne bovina e a expectativa de retomada das compras chinesas em 2027 devem contribuir para uma recuperação mais consistente dos preços no último trimestre do ano.
Diante desse cenário, a gestão de risco se torna essencial para os pecuaristas. Aqueles que possuem animais prontos para venda e não têm proteção de preços podem ser os mais afetados pelas flutuações do mercado. Frigoríficos menores também podem enfrentar dificuldades se as exportações para a China forem temporariamente reduzidas.











