O Brasil registrou um aumento significativo nas importações de produtos lácteos em maio de 2026, com um total de 220,29 milhões de litros, representando uma alta de 3,47% em relação ao mês anterior. Esses dados, analisados pelo Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea), evidenciam uma crescente dependência do mercado externo para abastecer a demanda interna.
No acumulado de janeiro a maio de 2026, o país importou 1,02 bilhão de litros, um aumento expressivo de 96,9 milhões de litros em comparação ao mesmo período do ano anterior. Essa tendência levanta preocupações sobre a segurança alimentar e a autonomia do Brasil em relação à produção local de lácteos.
Argentina e Uruguai dominam fornecimento de lácteos ao Brasil
O levantamento do Imea destaca que a Argentina e o Uruguai são os principais fornecedores de lácteos ao Brasil, com a Argentina respondendo por 66,34% das importações e o Uruguai por 23,02%. Juntos, esses países representam quase 90% do volume total importado, o que reforça a dependência do Brasil em relação a esses mercados sul-americanos.
Essa concentração nas importações pode impactar a competitividade dos produtores locais, que enfrentam desafios para se manterem viáveis em um mercado cada vez mais influenciado por preços internacionais. A situação exige atenção das autoridades e dos produtores para garantir a sustentabilidade do setor.
Leite em pó lidera importações e representa mais de 70% do total
O leite em pó é o principal produto importado, correspondendo a 74,11% do total das importações de lácteos em 2026. Essa predominância destaca a importância do leite em pó na composição da oferta interna, especialmente para indústrias que processam e reconstituem derivados lácteos.
O aumento nas importações de leite em pó pode afetar os preços internos e a rentabilidade dos produtores locais, que precisam se adaptar a um cenário de concorrência acirrada. A situação é ainda mais complexa com a recente confirmação de práticas de dumping nas exportações de leite em pó da Argentina e do Uruguai.
Diante desse cenário, a Câmara de Comércio Exterior (Camex) aprovou a aplicação de direitos antidumping sobre o leite em pó proveniente desses países, embora a cobrança tenha sido suspensa temporariamente para avaliar os impactos econômicos. Enquanto isso, o Imea prevê que o fluxo de importações deve se manter estável no curto prazo, o que significa que a dependência do Brasil em relação ao mercado externo continuará.











