O Brasil possui uma das matrizes energéticas mais limpas do mundo, mas para se destacar na economia de baixo carbono, precisa transformar essa vantagem em uma estratégia industrial robusta. Essa é a conclusão de um estudo do FGV Clima, que analisa a posição do país em relação a outras potências globais na transição energética.
O relatório faz parte da série “Desenhando o Futuro da Transição Energética Brasileira” e compara as estratégias de descarbonização de países como China, Estados Unidos, Índia e União Europeia, destacando o papel do Brasil nesse contexto. A pesquisa revela que, apesar de ter uma matriz energética favorável, o país enfrenta desafios significativos em setores industriais pesados.
Indústria como eixo central da transição energética
O Brasil se comprometeu a reduzir suas emissões líquidas de gases de efeito estufa entre 59% e 67% até 2035, com base nos níveis de 2005. A indústria, que representa 23,4% do PIB e consome 31,7% da energia do país, é vista como um pilar fundamental para alcançar essas metas.
Em 2024, 64,4% da energia consumida pela indústria brasileira provém de fontes renováveis, um dos índices mais altos entre economias industrializadas. No entanto, setores como cimento, siderurgia e química ainda precisam de soluções inovadoras para avançar na descarbonização.
Aprendizados de experiências internacionais
O estudo destaca que não existe um modelo único para a transição energética, mas sim diversas estratégias adaptadas às realidades de cada nação. A China, por exemplo, lidera com coordenação estatal e domínio em energias renováveis, enquanto os Estados Unidos utilizam políticas industriais para incentivar a transição.
Essas experiências internacionais mostram que a previsibilidade regulatória e a coordenação de longo prazo são essenciais para atrair investimentos e acelerar a descarbonização. O Brasil já possui políticas climáticas em andamento, mas a falta de integração entre elas ainda é um desafio a ser superado.
Oportunidades para o Brasil na economia verde
O levantamento identifica áreas estratégicas onde o Brasil pode se destacar, como hidrogênio verde, biocombustíveis avançados e armazenamento de energia. Essas tecnologias são vistas como fundamentais para a inserção do país nas cadeias globais da economia de baixo carbono.
Para que o Brasil aproveite sua vantagem energética e se torne um líder econômico, será necessário implementar políticas consistentes e garantir financiamento de longo prazo. A combinação de recursos naturais com inovação e competitividade pode gerar empregos qualificados e fortalecer a economia regional.











