A BYD iniciou os pedidos de licenças para dobrar a capacidade anual de sua fábrica em Camaçari, na Bahia, e alcançar a produção de 600 mil veículos. A expansão ocorre em meio ao aumento da demanda no mercado brasileiro e também prepara a montadora para ampliar as exportações na América Latina.
O plano inclui superar 50% de componentes nacionais no início de 2027. Para isso, a empresa ainda depende da conclusão das obras e dos testes nas áreas de estamparia, soldagem e pintura da unidade baiana.
A BYD pretende produzir 25 mil carros por mês até o fim de 2026, mas a procura já supera esse volume. Alexandre Baldy, vice-presidente sênior da empresa no Brasil, afirmou à Reuters que a demanda média está em cerca de 30 mil veículos mensais.
“Nossa demanda tem ficado em uma média de cerca de 30.000 carros por mês, o que significa que estamos deixando de faturar cerca de 5.000 a 6.000 vendas adicionais”, disse Baldy.
A ampliação da produção também está relacionada aos pedidos de mercados vizinhos. A BYD recebeu solicitações de 50 mil veículos do México e de outros 50 mil da Argentina. Segundo o executivo, a empresa poderá atender a esses pedidos a partir de 2027, conforme avance a nacionalização de componentes.
A dependência de peças importadas e o uso de tarifas temporariamente reduzidas já provocaram críticas de grupos da indústria automobilística brasileira. Para consolidar a produção local, a montadora precisa colocar em funcionamento as novas etapas industriais.
“A gente trabalha para inaugurar 2027 já ultrapassando essa posição e termos essas etapas em operação para sermos considerados um fabricante local”, afirmou Baldy. A nacionalização de mais de 50% das peças é considerada essencial para o início das exportações de veículos da BYD para a América Latina.
O investimento na fábrica já ultrapassou R$ 5,5 bilhões. Inaugurada em 9 de outubro de 2025, a unidade ocupa um complexo industrial que pertenceu à Ford e emprega cerca de 9 mil pessoas. A expectativa é elevar o quadro para aproximadamente 10 mil trabalhadores até o fim de 2026.
Em setembro, a BYD registrou 22.209 veículos emplacados no Brasil, o equivalente a 8,5% do mercado nacional, segundo dados da própria companhia. A empresa espera alcançar 200 mil veículos faturados acumulados na unidade brasileira em 2026.
A fabricante já lidera o mercado uruguaio e ocupa posições de destaque na Argentina e na Colômbia. No Brasil, a meta é se tornar a maior montadora em volume de vendas até 2030.
A capacidade projetada para a fábrica é de 600 mil veículos por ano, condicionada à obtenção das licenças necessárias. A previsão de nacionalização é superar 50% dos componentes no início de 2027, enquanto México e Argentina têm pedidos de 50 mil veículos cada. O quadro de funcionários deve chegar a cerca de 10 mil pessoas até o fim de 2026.
A expansão da unidade de Camaçari deve reforçar o atendimento à demanda brasileira e ampliar a presença da BYD nos mercados vizinhos. O avanço dependerá da entrada em operação das novas áreas industriais e do cumprimento das exigências para a produção local.











