A cafeicultura de Minas Gerais está prestes a alcançar uma safra histórica em 2026, com previsão de produção de 33,4 milhões de sacas de café. Esse aumento significativo, de 29,8% em relação à safra anterior, é impulsionado por condições climáticas favoráveis e um ciclo de bienalidade positiva. No entanto, especialistas alertam para os riscos que as mudanças climáticas podem trazer para as próximas safras.
Minas Gerais é responsável por cerca de 50% do café produzido no Brasil e um terço do café arábica mundial. O desempenho esperado para 2026 é resultado da combinação de chuvas regulares antes da floração e do ciclo favorável das lavouras. Contudo, a sustentabilidade dessa produção pode estar ameaçada por fatores climáticos adversos.
Impactos das Mudanças Climáticas na Cafeicultura
De acordo com Tatiane Oliveira, especialista em logística e gestão operacional, o fenômeno El Niño, que deve ocorrer no segundo semestre, não deve afetar diretamente a safra de 2026, mas pode ter consequências significativas para 2027. A irregularidade das chuvas já observada em regiões do Sul de Minas é um sinal de alerta para o setor.
Os dados climáticos recentes mostram um aumento preocupante nas temperaturas em Minas Gerais. Turmalina, por exemplo, registrou uma média de 5,52°C acima das máximas históricas em 2023. Essa tendência de aquecimento, que afeta a resiliência da produção agrícola, é especialmente alarmante para as regiões mais vulneráveis.
Além disso, a expansão do semiárido em Minas Gerais tem agravado o cenário. Municípios como Gameleiras e Espinosa já apresentam características de clima árido, o que pode impactar diretamente a produção de café. A situação é ainda mais crítica com a frequência crescente de secas, que já levou o governo a decretar emergência em 62 municípios.
Embora a expectativa para 2026 seja de uma colheita recorde, os desafios impostos pelas mudanças climáticas exigem que a cafeicultura mineira se adapte rapidamente. Investimentos em manejo sustentável e estratégias de mitigação climática são essenciais para preservar a competitividade do café brasileiro no mercado global.











