A justiça do Peru decidiu, na sexta-feira, 5 de junho de 2026, enviar a julgamento o candidato da esquerda à Presidência, Roberto Sánchez, a apenas dois dias do segundo turno das eleições. Ele é acusado de suposta declaração falsa de financiamento de seu partido, o Juntos pelo Peru, referente a campanhas eleitorais entre 2018 e 2020.
No próximo domingo, Sánchez enfrentará a direitista Keiko Fujimori, filha do ex-presidente Alberto Fujimori, em uma disputa que promete ser acirrada. A ordem judicial não deve impactar a realização do pleito, uma vez que o candidato pode recorrer da decisão.
Imunidade e Consequências
Se vencer as eleições, Sánchez, que é congressista e ex-ministro, poderá contar com imunidade, conforme a Constituição peruana. O juiz Adolfo Farfán anunciou a decisão após uma audiência virtual, afirmando que há mérito para o julgamento oral contra o candidato.
O Ministério Público peruano pede uma pena de cinco anos e quatro meses de prisão, alegando que Sánchez não declarou mais de 57.000 dólares (R$ 292 mil) recebidos para atividades partidárias. A defesa do candidato já anunciou que irá apelar da decisão judicial.
O caso levanta questões sobre a instabilidade política no Peru, que desde 2016 já teve oito presidentes. A situação é um reflexo das tensões entre os partidos e a influência do Congresso, onde o partido de Fujimori, o Força Popular, detém grande poder.
Impacto nas Relações Internacionais
Na reta final da campanha, Sánchez tem enfatizado a necessidade de consenso e estabilidade, buscando apaziguar eleitores conservadores. Ele expressou o desejo de manter relações “respeitosas” com os Estados Unidos, destacando a importância da boa vizinhança entre as nações.
O candidato esquerdista também criticou a instabilidade política, propondo um equilíbrio de poderes e uma regulação mais rigorosa sobre a destituição de presidentes. Essa proposta visa evitar a repetição de crises políticas que têm afetado o país nos últimos anos.
As eleições no Peru têm repercussões que vão além de suas fronteiras, especialmente em um contexto onde a América Latina enfrenta desafios políticos e sociais. A situação de Sánchez pode influenciar a percepção internacional sobre a estabilidade política no Peru e suas relações com outros países, incluindo o Brasil.











