Um novo marco na tecnologia de data centers foi alcançado com a inauguração do primeiro data center submerso do mundo, movido a energia eólica, na costa de Xangai. Este projeto inovador, que começou a operar em maio de 2026, representa um avanço significativo na busca por soluções sustentáveis para a crescente demanda por infraestrutura digital.
O Shanghai Lingang Undersea Datacentre Demonstration Project é resultado de uma colaboração entre a HiCloud Technology e a China Communications Construction, uma empresa estatal. Localizado a 10 metros de profundidade e a mais de 10 quilômetros da costa, o data center possui uma capacidade de 24 megawatts, sendo alimentado por energia gerada em um parque eólico offshore nas proximidades.
Eficiência energética e resfriamento natural
Um dos principais diferenciais deste projeto é sua eficiência energética. De acordo com autoridades chinesas, o data center consome cerca de 20% menos energia em comparação com instalações em terra. Isso se deve ao uso da água do mar para resfriar os servidores, reduzindo a necessidade de sistemas de refrigeração tradicionais.
Em instalações convencionais, uma parte significativa da eletricidade é utilizada apenas para manter os equipamentos em temperatura adequada. Além disso, o uso de água doce é minimizado, um aspecto importante considerando a crescente demanda hídrica dos data centers em todo o mundo.
Inteligência artificial e a necessidade de infraestrutura eficiente
Com o avanço da inteligência artificial, a pressão sobre governos e empresas para expandir suas infraestruturas digitais se intensificou. A China, que considera a IA uma prioridade estratégica, tem investido fortemente em soluções que combinem tecnologia avançada com energia limpa.
O data center subaquático de Xangai se insere nessa lógica, buscando alternativas mais sustentáveis para suportar o crescimento do setor. Essa inovação não apenas atende à demanda por processamento de dados, mas também se alinha com as metas ambientais globais.
Desafios e considerações ambientais
O projeto recebeu um investimento de aproximadamente 1,6 bilhão de yuans, cerca de £177 milhões. Apesar dos benefícios, especialistas alertam para os possíveis impactos ambientais, como alterações na temperatura da água e perturbações em sedimentos marinhos, que devem ser monitorados.
Embora o conceito de data centers submersos não seja novo, a abordagem da China se destaca pela rapidez na implementação e pelo suporte governamental. Essa iniciativa pode servir de modelo para outras nações que buscam equilibrar tecnologia e sustentabilidade em suas infraestruturas digitais.











