O clima voltou a ser um tema central no agronegócio brasileiro. O relatório AgroInfo 2026, elaborado pelo Rabobank, aponta que a iminente chegada do fenômeno El Niño pode impactar significativamente a produção agrícola e pecuária durante a safra 2026/27, gerando preocupação entre produtores e investidores do setor.
Apesar dos resultados positivos em várias cadeias produtivas, os riscos climáticos se tornaram uma prioridade para cooperativas e indústrias. O alerta é claro: o retorno do El Niño pode trazer desafios que exigem atenção redobrada dos agentes do agronegócio.
Impactos nas principais culturas agrícolas
O relatório destaca que a safra de soja pode ser afetada, especialmente após a colheita nos Estados Unidos. Os agentes de mercado já estão de olho na América do Sul e nas possíveis consequências climáticas que podem surgir na próxima temporada.
No milho, embora a expectativa seja de uma colheita robusta de 138 milhões de toneladas, o Rabobank também alerta para o risco de geadas nas regiões Sul, que podem comprometer a produtividade. A pecuária de corte enfrenta um cenário semelhante, com a recuperação das pastagens em risco devido ao fortalecimento do El Niño.
Setores vulneráveis e suas previsões
A citricultura é um dos setores mais vulneráveis ao clima. A previsão para a safra de laranja 2026/27 é de 255,2 milhões de caixas, uma queda de 12,9% em relação ao ciclo anterior. Eventos climáticos intensos podem prejudicar a florada e a formação dos frutos, impactando a produção futura.
No mercado de lácteos, a situação é preocupante. O excesso de chuvas no Sul pode afetar a produção em estados como Rio Grande do Sul e Santa Catarina, enquanto a seca no Sudeste e Nordeste pode limitar a oferta de leite. A expectativa é de estabilidade na produção nacional em 2026, após uma leve recuperação nos preços.
O setor florestal também deve monitorar os riscos climáticos, já que o El Niño pode causar variações nas chuvas e temperaturas, afetando as florestas plantadas e a produção de celulose. Apesar disso, há uma expectativa de recuperação gradual dos preços internacionais da celulose até o final de 2026.
Com o clima se tornando uma variável decisiva, é fundamental que os produtores e empresas do agronegócio intensifiquem o monitoramento das condições meteorológicas. A adaptação às mudanças climáticas pode se tornar um diferencial estratégico para a competitividade do agro brasileiro nos próximos anos.











