O mercado físico do boi gordo no Brasil enfrenta pressão nas cotações da arroba, refletindo a expectativa de esgotamento da cota de importação da China, principal destino da carne bovina brasileira. Essa situação gera incertezas no fluxo de exportações e leva os frigoríficos a reavaliar suas estratégias de abate e compra de gado.
Analistas do setor, como Fernando Iglesias, da Safras & Mercado, indicam que os frigoríficos já estão testando preços mais baixos devido à aproximação do limite da cota anual da China, que é de 1,106 milhão de toneladas. A previsão é que essa cota seja preenchida entre junho e julho, o que poderá impactar a demanda chinesa por carne bovina brasileira.
Impacto nas cotações e abate
Com a possível redução da demanda, a indústria frigorífica deve ajustar o ritmo de abates, o que pode resultar em maior ociosidade nas plantas. Isso ocorre em um momento em que a oferta de animais ainda é limitada, mas as cotações da arroba do boi gordo já apresentam quedas em diversas regiões produtoras.
No dia 18 de junho, os preços da arroba foram registrados nas seguintes regiões: São Paulo (R$ 350,00/@), Goiás (R$ 325,00/@), Minas Gerais (R$ 325,00/@), Mato Grosso do Sul (R$ 345,00/@), Mato Grosso (R$ 350,00/@) e Rondônia (R$ 335,00/@). Essas quedas refletem a tentativa dos frigoríficos de recompor margens em um cenário de incertezas no fluxo exportador.
Mercado atacadista e exportações
No mercado atacadista, os preços se mantiveram estáveis, com o quarto dianteiro cotado a R$ 21,70/kg e o traseiro a R$ 27,00/kg. Apesar da estabilidade, há expectativa de uma recuperação pontual nos próximos dias, impulsionada por fatores sazonais de consumo, embora a competitividade da carne de frango ainda limite altas mais significativas.
O mercado do boi gordo encerra a semana sob a influência do cenário internacional, especialmente em relação às relações comerciais com a China. A expectativa de ajustes na indústria frigorífica e a volatilidade nas cotações devem continuar, enquanto o desempenho das exportações se mostra como um fator de sustentação para o setor.











