A corrida por data centers no Brasil está se intensificando, com foco em energia, conexão e engenharia. Esses fatores se tornaram cruciais para o desenvolvimento do setor, especialmente com a crescente demanda por infraestrutura para inteligência artificial.
Recentemente, um levantamento da Associação Brasileira de Data Centers revelou que os pedidos de conexão à rede de transmissão somavam 26,2 gigawatts, o que representa mais de 25% da demanda elétrica do país. Em comparação, a carga de data centers em 2025 era de apenas 800 megawatts, evidenciando a necessidade urgente de adequação da infraestrutura elétrica.
O impacto da inteligência artificial
A transformação no setor é impulsionada pela necessidade de suportar sistemas de inteligência artificial. O treinamento de modelos generativos exige uma densidade de potência que desafia os padrões tradicionais de energia e climatização dos data centers.
Um exemplo claro dessa mudança é que racks que antes operavam entre 5 e 10 quilowatts agora precisam de mais de 120 quilowatts. Isso resulta em um aumento significativo no consumo de eletricidade, que cresceu 17% globalmente no último ano e deve continuar a aumentar até 2030.
O Brasil possui uma matriz elétrica com 88,2% de fontes renováveis, o que é um atrativo para investidores que buscam atender às exigências de descarbonização. No entanto, a disponibilidade de energia firme é um desafio, pois a energia limpa não garante que ela esteja disponível no momento da demanda.
Além disso, a saturação das redes elétricas em regiões como São Paulo tem gerado um gargalo na conexão. O governo federal implementou novas políticas para gerenciar o acesso à rede de transmissão, mas a construção de data centers ainda leva de 18 a 24 meses, enquanto a infraestrutura elétrica pode levar até 60 meses para ser concluída.
A engenharia dos data centers também está passando por uma reestruturação. Níveis de tensão mais altos estão se tornando padrão, e a gestão térmica precisa ser otimizada para atender às novas demandas. O futuro do setor depende da capacidade de integrar energia, conexão e engenharia desde as fases iniciais de planejamento.
Com um cenário de alta densidade computacional e exigências regulatórias crescentes, o Brasil tem a oportunidade de se posicionar como um hub global de infraestrutura digital. A forma como o país lida com esses desafios determinará sua competitividade e soberania tecnológica nas próximas décadas.











