O agronegócio brasileiro enfrenta um cenário desafiador, com a combinação do fenômeno El Niño e o aumento dos preços dos fertilizantes ameaçando o desempenho do setor. Especialistas alertam que esses fatores podem impactar a produção rural e a rentabilidade até 2027, exigindo atenção redobrada dos produtores.
Embora o setor tenha registrado um crescimento de 2% no primeiro trimestre de 2026, conforme dados do IBGE, a expectativa é que essa tendência perca força nos próximos meses. O desempenho positivo foi impulsionado pela colheita de grãos, especialmente da soja, mas a comparação com o crescimento de 12% em 2025 torna o cenário atual mais complexo.
Impactos do El Niño na produção agrícola
A possibilidade de formação do El Niño entre junho e julho deste ano gera preocupação entre os produtores. Esse fenômeno pode atrasar os plantios e comprometer a safra de 2027, afetando regiões estratégicas como o Matopiba e o Sul do Brasil, onde a agricultura é vital.
As alterações climáticas provocadas pelo El Niño podem resultar em estiagens no Centro-Norte e em excesso de chuvas no Sul, prejudicando culturas como soja, milho e arroz. Especialistas ressaltam que, mesmo com a safra atual já implantada, os atrasos no calendário agrícola e a necessidade de replantio podem aumentar os custos operacionais.
Desafios com fertilizantes e crédito
Outro fator que preocupa os produtores é o aumento dos preços dos fertilizantes, impulsionado por tensões geopolíticas. Esse encarecimento pode levar muitos agricultores a reduzirem a quantidade aplicada nas lavouras, comprometendo o potencial produtivo e aumentando despesas logísticas.
Além disso, a alta das taxas de juros dificulta o acesso ao crédito, limitando a capacidade de investimento e expansão das áreas cultivadas. Essa situação pode impactar especialmente os médios e pequenos produtores, que enfrentam mais dificuldades financeiras.
Com a pecuária também passando por uma fase de transição, os produtores estão retendo fêmeas para recomposição dos rebanhos, o que pode reduzir a oferta de carne bovina nos próximos anos. A combinação de riscos climáticos, custos elevados e crédito restrito exige um planejamento estratégico para garantir a competitividade do agronegócio.











