Aos 95 anos, Horácio da Silva foi às urnas neste domingo (25), no segundo turno das eleições de 2026, mesmo tendo idade em que o voto não é obrigatório. Morador do Varjão, na periferia do Distrito Federal, ele chegou à seção eleitoral usando uma camiseta com a imagem do candidato escolhido.
Nordestino de Icó (CE), o aposentado teve preferência na fila, foi identificado pela digital do polegar e votou logo após a abertura da seção, instalada na única escola pública da região. “Tem que votar para melhorar o Brasil”, afirmou.
Na família, parentes se revezam para acompanhá-lo. No primeiro turno, a filha o levou às urnas. No segundo, a tarefa ficou com a contadora Rayane Ferreira da Silva, uma de suas mais de 20 netas e netos, que mora perto do avô. Antes de votar, ela fez questão de atender ao desejo dele.
“Meu avô se preocupa com os outros, com os filhos, netos, bisnetos e até os tataranetos que tem. Ele quer deixar um país melhor para a gente”, disse Rayane.
Primeira eleição
Enquanto Horácio já perdeu a conta de quantas eleições disputou como eleitor, Maria Teresa Neves Hora estreou nas urnas em 2026. A jovem completou 16 anos há menos de um mês e tirou o título eleitoral por influência dos pais. Mesmo com o voto facultativo, ela compareceu à seção no Centro de Ensino Médio Paulo Freire, na Asa Norte, em Brasília.
“É muito importante que os adolescentes votem, porque isso impacta a vida de todo mundo”, afirmou Maria Teresa, que também defendeu um país com mais igualdade social, oportunidades e respeito às pessoas, independentemente da religião ou de outras diferenças.
Voto antes do trabalho
Muitos eleitores foram votar cedo porque precisavam seguir para o trabalho. O chapeiro Janaildo Santana afirmou que, antes da obrigação profissional, vem o direito de escolher os representantes.
“Quero que meu país melhore na saúde, educação e segurança. Não dá para ficar em casa e achar que vai tudo se resolver, porque estará entregando seu futuro nas mãos do próximo”, declarou.
A participação também ocorreu além do voto. Aos 18 anos, a professora Orícia Azevedo Chaves se apresentou como voluntária da Justiça Eleitoral. Ela já atuou como secretária e mesária e, neste ano, presidiu a seção eleitoral do Varjão onde Horácio votou.
“Sinto que estou fazendo minha missão de cidadã, exercendo meu dever. Vai além dos benefícios, como ter folgas [no trabalho] e isenção na inscrição de alguns concursos”, disse Orícia.
A professora Ecleidiane Nascimento dos Santos trabalhou como fiscal de partido no segundo turno. Segundo ela, a função permite acompanhar a votação e verificar se não há irregularidades, como boca de urna, compra de votos ou indução do eleitor.
Motivações diferentes
Mais de 158 milhões de eleitoras e eleitores estavam aptos a votar no Brasil. Pela Constituição Federal de 1988, cada voto tem o mesmo peso, independentemente de raça ou cor, condição econômica, religião ou local de moradia. As razões para participar, porém, variam entre os eleitores.
O auxiliar de almoxarifado Marcio Sampaio foi às urnas defendendo mudanças. Vestido de verde e amarelo, afirmou que a população precisa participar e citou preocupações com a criminalidade e a necessidade, em sua opinião, de reduzir a maioridade penal.
João Lucas Sousa Rodrigues, de 19 anos, atualmente desempregado, destacou sua identidade como homem preto e gay. Para ele, o voto representa sua história, a trajetória da mãe e da família.
Os irmãos Dagoberto e Poliana Fernandes Leite, aposentados por incapacidade permanente devido a crises de epilepsia desde a infância, votaram pensando na manutenção do Benefício de Prestação Continuada (BPC/LOAS). Poliana afirmou que o benefício, de um salário mínimo mensal, é usado para comprar alimentos e ajudar nas despesas da casa, incluindo as contas de luz, água e IPTU.
Defesa do diálogo
Em uma eleição presidencial marcada pela divisão entre esquerda e direita, a eleitora Taylla Gabriele defendeu a participação da população na escolha de representantes para os espaços de poder e decisão.
“A gente pode ser de um lado ou de outro. Mas, de fato, o que importa é ter voz. Não é só mais um voto. A grande maioria faz a representação e o grande todo faz acontecer”, afirmou.
A enfermeira Eliane Gomes dos Santos integra o grupo de 2,56 milhões de eleitores do Distrito Federal que escolheram o governador ou a governadora local e o próximo presidente da República. Para ela, a política deve ser compreendida também no cotidiano e nas relações sociais, e não apenas no ambiente partidário.
“A gente não discute muito sobre política. Mas somos seres sociais e não deve existir o apolítico. Todo mundo é político”, disse Eliane.
Mesmo se identificando mais com causas de partidos de esquerda, a enfermeira defendeu o diálogo respeitoso e a convivência com pessoas que pensam de maneira diferente. Para ela, a diversidade de opiniões é necessária para a construção de avanços ao longo da trajetória da sociedade.











