O uso de inteligência artificial (IA) no ambiente de trabalho tem crescido de forma significativa, mas muitas empresas ainda enfrentam desafios para mensurar os ganhos dessa tecnologia. Um relatório recente do Boston Consulting Group (BCG) revela que, apesar da adoção acelerada, a transformação em resultados concretos ainda é uma incógnita para muitos gestores.
De acordo com o levantamento, 74% dos trabalhadores administrativos sem função gerencial afirmam utilizar ferramentas de IA com frequência, um aumento expressivo em relação ao ano anterior. No entanto, a pesquisa aponta que, mesmo com essa evolução, as empresas ainda não conseguiram aproveitar plenamente os benefícios dessa tecnologia.
Tempo economizado ainda não é considerado
Mais de 40% dos profissionais afirmaram que economizam pelo menos um dia inteiro de trabalho por semana graças à IA. Contudo, o BCG destaca que muitos líderes ainda não sabem como utilizar esse tempo recuperado de maneira eficaz, o que pode comprometer o potencial de produtividade.
Vinciane Beauchene, uma das autoras do relatório, enfatiza que a discussão sobre a IA não deve se limitar à substituição de funções, mas sim ao repensar do valor humano agregado nas empresas. Essa mudança de mentalidade é crucial para que as organizações possam se beneficiar verdadeiramente da tecnologia.
Satisfação e sobrecarga ao mesmo tempo
O estudo também revela um fenômeno interessante: quase metade dos entrevistados relatou passar mais tempo supervisionando a IA do que realizando suas próprias tarefas. Embora dois terços tenham mencionado um aumento na satisfação no trabalho, 41% relataram um desgaste mental maior, criando o que os autores chamaram de “paradoxo da alegria”.
Esse paradoxo indica que, enquanto a IA pode melhorar a experiência de trabalho, ela também pode aumentar a complexidade das tarefas diárias. Sylvain Duranton, coautor do estudo, alerta que a “lua de mel com a IA” pode acabar rapidamente sem uma estratégia clara de implementação.
Agentes de IA ganham espaço
O relatório também destaca o crescimento dos agentes de IA, com 30% dos entrevistados afirmando que essas ferramentas já fazem parte de seus fluxos de trabalho. Essa taxa é mais do que o dobro do que foi registrado no ano anterior, indicando uma rápida aceitação e integração da tecnologia.
Além disso, mais de 60% dos trabalhadores acreditam que esses agentes poderão executar ao menos metade de suas tarefas nos próximos três anos. A pesquisa, que ouviu cerca de 12 mil trabalhadores em 14 países, mostra que o uso regular de IA é especialmente alto entre profissionais sem cargo gerencial na Índia, Brasil e África do Sul.











