Empresas brasileiras estão avançando na digitalização, mas ainda enfrentam desafios significativos na gestão de riscos, especialmente no que diz respeito à inteligência artificial. Essa é uma das principais conclusões da terceira edição da Pesquisa de Riscos Digitais, realizada pela Miti Tech.
O estudo revela que o índice de maturidade digital das organizações brasileiras alcançou 58%, enquanto o risco médio identificado foi de 44%. Isso demonstra uma exposição considerável a eventos que podem impactar tanto a operação quanto a saúde financeira das empresas.
Descompasso entre digitalização e governança
Fabio Soto, CEO da Agility, destaca que há um descompasso entre a rápida adoção de tecnologias digitais e a evolução nas práticas de governança. As empresas estão incorporando tecnologia, mas não a gerenciam como um ativo crítico, o que pode levar a problemas sérios no futuro.
O coordenador da pesquisa, Nycholas Szucko, aponta que, apesar de o Brasil ter consolidado capacidades digitais importantes, as fragilidades na gestão de riscos ainda são evidentes. A convivência de uma maturidade digital intermediária com um nível elevado de risco é alarmante.
O estudo também revela que o impacto financeiro de um incidente relevante pode ser significativo, com uma estimativa média de US$ 32 milhões por ocorrência. Além disso, apenas 16% das empresas possuem um CISO dedicado, o que reflete um estágio inicial de maturidade em governança corporativa.
Desafios na governança de dados e inteligência artificial
A governança de dados apresenta um índice de maturidade de 62%, mas o risco de vazamento de informações ainda é de 40%. Isso é resultado de falhas na padronização de processos e na gestão de fornecedores, evidenciando a necessidade de uma abordagem mais estruturada.
A inteligência artificial, por sua vez, é a área mais sensível da pesquisa, com uma maturidade média de 51% e um nível de risco de 53%. Os principais desafios incluem a falta de políticas específicas e a ausência de supervisão adequada, o que pode levar a decisões automatizadas problemáticas.
Com a incorporação crescente da IA nos processos corporativos, os desafios tendem a aumentar. Soto alerta que a eficiência gerada pela tecnologia pode se transformar em risco se não houver uma estrutura adequada para gerenciá-la.
A pesquisa propõe uma abordagem integrada para o gerenciamento de riscos digitais, consolidando indicadores de cibersegurança, governança de dados e inteligência artificial. Essa visão estratégica permite que as empresas reavaliem suas prioridades de investimento em segurança e governança.











