O mercado de trigo no Sul do Brasil enfrenta uma escassez de produto de qualidade, o que tem elevado os preços e gerado pressão sobre os moinhos. A análise da TF Agroeconômica revela que a combinação de estoques reduzidos da safra anterior, dificuldades na obtenção de trigo melhorador e a expectativa de diminuição na área plantada são fatores que sustentam essa alta.
No Rio Grande do Sul, os preços do trigo disponível estão em ascensão, com os moinhos oferecendo entre R$ 1.430 e R$ 1.450 por tonelada CIF para trigo padrão. Essa valorização reflete a percepção de uma oferta futura ainda mais restrita, especialmente com a previsão de redução na área cultivada na próxima safra.
Impacto na Produção e no Mercado
A tendência de corte na área de cultivo de trigo é generalizada no estado, impulsionada pela escassez de sementes e pela diminuição dos investimentos tecnológicos. Se essa situação se concretizar, os preços elevados podem se estender durante a nova safra, com uma possível pressão temporária apenas na época da colheita, em dezembro.
Outro aspecto que pressiona o mercado é a dificuldade em encontrar trigo de qualidade superior. No Rio Grande do Sul, já há compradores dispostos a aceitar trigo com força de glúten de até 270 W por cerca de R$ 1.400 por tonelada FOB. Essa situação evidencia a necessidade urgente de um produto que atenda às exigências dos moinhos.
Em Santa Catarina, a valorização do trigo segue a tendência observada no Paraná e no Rio Grande do Sul. O preço do trigo catarinense está sendo negociado entre R$ 1.350 e R$ 1.400 por tonelada FOB, com o frete sendo um fator determinante na formação dos preços finais.
No Paraná, a escassez de trigo de boa qualidade mantém os preços elevados, com negócios recentes alcançando R$ 1.350 por tonelada na região central e até R$ 1.450 CIF na região de Curitiba. Os produtores estão reticentes em vender, buscando preços mais altos, enquanto os moinhos enfrentam um mercado cada vez mais limitado.
Com a combinação de uma oferta curta, perspectivas de produção reduzidas e dificuldades para encontrar trigo de qualidade industrial, o mercado brasileiro continua a apresentar um viés firme, especialmente na Região Sul, que é o principal polo produtor do cereal no país. Essa situação impacta diretamente tanto os produtores quanto os consumidores, refletindo na economia regional e na cadeia produtiva do agronegócio.











