Uberlandia, MG Ter, 03 de novembro
24° Máx. 30° · Mín. 19° Nublado
Previsão para Uberlândia Hoje: nublado
Amanhã, 04/11 32° 21° 20% chuva
qui, 05/11 31° 22° 64% chuva
sex, 06/11 32° 21° 69% chuva
sáb, 07/11 31° 21° 85% chuva
dom, 08/11 26° 17° 54% chuva
seg, 09/11 30° 16° 26% chuva
ter, 10/11 28° 19° 43% chuva
Dados meteorológicos fornecidos por Open-Meteo.
Estados gastam mais de 5 mil vezes com polícias do que com políticas para egressos
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial para esta matéria.
Política

Estados gastam mais de 5 mil vezes com polícias do que com políticas para egressos

Compartilhar Facebook X WhatsApp Telegram

Os estados brasileiros destinaram, em 2025, mais de 5 mil vezes mais recursos às polícias do que a políticas exclusivas para pessoas egressas do sistema prisional. Para cada R$ 5.423 gastos com as polícias, foram destinados R$ 1.169 ao sistema prisional e apenas R$ 1 às ações voltadas aos egressos.

Os dados fazem parte da nova edição da pesquisa “O Funil de Investimentos da Segurança Pública nos Estados Brasileiros”, realizada pelo centro de pesquisa Justa. O levantamento será apresentado nesta quinta-feira (17), durante o 20º Encontro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

O estudo analisou a distribuição dos recursos destinados às polícias, ao sistema prisional e às políticas para egressos em 26 unidades federativas. O Acre não forneceu dados para a pesquisa.

Em comparação com a edição anterior, baseada nos números de 2024, a desigualdade aumentou. Naquele ano, para cada R$ 4.877 destinados às polícias, foram aplicados R$ 1.221 no sistema penitenciário e R$ 1 em políticas exclusivas para egressos.

Segundo o Justa, os números mostram a concentração dos investimentos na porta de entrada do sistema de Justiça criminal. Para a coordenadora de pesquisas da entidade, Taciana Santos, a prioridade dada ao orçamento das polícias não necessariamente resulta em mais segurança para a população.

“Esse crescimento de gasto com polícias está associado ao crescimento da bancada da bala e do populismo penal na política, como observamos pelo número de candidatos que se elegem instrumentalizando a insegurança como principal bandeira eleitoral”, avaliou Taciana.

Orçamento das polícias

Os gastos com as polícias nos estados analisados subiram de R$ 87,5 bilhões, em 2024, para R$ 103,5 bilhões em 2025.

As Polícias Militares, responsáveis pelo patrulhamento e pelo policiamento ostensivo, concentraram R$ 60,7 bilhões, o equivalente a 58,6% da verba. As Polícias Civis receberam R$ 22,2 bilhões, ou 21,5% do total, para atividades de investigação de crimes em geral.

As Polícias Técnico-Científicas, que atuam em áreas como perícia e produção de provas, receberam R$ 2,8 bilhões, correspondentes a 2,7%. Os R$ 17,8 bilhões restantes foram classificados como despesas compartilhadas, sem atribuição a uma única corporação.

De acordo com a pesquisa, os governos estaduais têm priorizado o policiamento ostensivo em detrimento de ações de investigação e inteligência. “É uma lógica que ajuda a sustentar um modelo de encarceramento em massa, marcado por fragilidades na apuração da autoria e na produção de evidências”, avaliou Luciana Zaffalon, diretora-executiva do Justa.

Gastos com o sistema prisional

Dos R$ 22,3 bilhões gastos pelos estados com o sistema prisional em 2025, cerca de R$ 13,7 bilhões corresponderam ao encarceramento de pessoas negras — aproximadamente R$ 6 de cada R$ 10 investidos na área. Para chegar à estimativa, o Justa cruzou os gastos estaduais com dados do Sistema Nacional de Informações Penais (Sisdepen), de dezembro de 2025.

“Os dados evidenciam uma realidade sistêmica: o Brasil prende muito e prende mal. A grande maioria das pessoas presas é pobre e preta, que acabam sendo entregues no sistema prisional às facções. Enquanto isso, os órgãos de segurança pública seguem com baixa capacidade de combater o crime organizado com eficiência”, afirmou Zaffalon.

Em 2024, os gastos com o sistema penitenciário somaram R$ 21,9 bilhões. Segundo a diretora-executiva, embora os valores tenham permanecido praticamente estáveis, os aumentos identificados foram destinados principalmente à expansão da estrutura carcerária.

“Já as reduções atingem despesas diretamente relacionadas às condições de encarceramento, como alimentação e saúde, contribuindo para um estado de precarização e violação de direitos dos apenados”, acrescentou.

Recursos para egressos

Os investimentos em políticas exclusivas para egressos também permaneceram praticamente estagnados. Os estados destinaram R$ 19 milhões para essas ações em 2025, contra R$ 18 milhões no ano anterior.

As políticas podem apoiar o acesso à documentação, moradia, saúde, educação, trabalho e renda, reduzindo barreiras para a reconstrução da vida após o cumprimento da pena, segundo Zaffalon.

Para a diretora, quando o Estado destina bilhões à entrada e à permanência no sistema prisional, mas reserva valores residuais para a saída, limita as possibilidades de reinserção social e mantém condições que podem favorecer a reincidência.

Apenas sete unidades federativas investiram em políticas exclusivas para egressos em 2025. No ano anterior, eram seis. Rio Grande do Sul e Santa Catarina, que não haviam investido na área em 2024, passaram a registrar despesas de R$ 414 mil e R$ 177 mil, respectivamente.

São Paulo teve a maior parcela dos recursos identificados pelo levantamento, com R$ 13,3 milhões, seguido pelo Ceará, com R$ 3,8 milhões. Mato Grosso investiu R$ 781 mil; a Bahia, R$ 482 mil; e Sergipe, R$ 19 mil.

Tocantins, que havia investido na área em 2024, teve uma dotação aprovada na Lei Orçamentária Anual, mas não utilizou os recursos em políticas para egressos.

0 votos: 0 positivos, 0 negativos (0 pontos)

Deixe uma resposta
Miramontes 350×750
Notíciasletter
Receba nossas noticias
Um resumo direto no seu e-mail.
Sign In/Sign Up Pesquisar
Loading

Signing-in 3 seconds...

Signing-up 3 seconds...