A competitividade da cadeia leiteira brasileira e a sanidade animal são fatores cruciais para o aumento das exportações de lácteos nos próximos anos. O alerta foi feito por Guilherme Portella, presidente do Sindicato da Indústria de Laticínios e Produtos Derivados do Estado do Rio Grande do Sul (Sindilat/RS), durante o Seminário de Sanidade em Pecuária Leiteira, realizado na Fenasul/Expoleite, em Esteio (RS).
Portella destacou que o Brasil possui potencial para se tornar um dos principais exportadores globais de leite e derivados. No entanto, o setor ainda enfrenta desafios estruturais que limitam sua competitividade no mercado internacional. “Sanidade é condição para exportar, mas competitividade é o que define permanência no mercado”, afirmou durante o evento.
Rio Grande do Sul se destaca na produção de leite
O estado do Rio Grande do Sul ocupa atualmente a terceira posição na bacia leiteira do Brasil, com uma produção que cresceu de 2,36 bilhões para 4,03 bilhões de litros anuais entre 2004 e 2024. Este volume representa cerca de 11,28% da produção nacional e movimenta aproximadamente R$ 19,86 bilhões na economia estadual, contribuindo com 2,81% do PIB gaúcho.
Esse crescimento consistente demonstra o potencial competitivo do estado, mas também ressalta a necessidade de investimentos em tecnologia e assistência técnica. A ampliação da escala produtiva é essencial para que o Rio Grande do Sul mantenha sua relevância no setor leiteiro nacional.
Durante o seminário, Portella apontou que a exportação de lácteos requer uma competitividade sistêmica e a integração entre todos os elos da cadeia produtiva. Entre os principais desafios, ele mencionou o alto custo logístico, a complexidade tributária e a oscilação cambial, que afetam diretamente a capacidade de competir no mercado externo.
Além disso, o dirigente enfatizou a importância de um posicionamento claro do governo federal sobre o futuro do Programa Mais Leite Saudável, que é considerado estratégico para aumentar a eficiência da cadeia leiteira. “Política pública eficiente não é custo, é investimento que se transforma em competitividade”, destacou.
Outro ponto de preocupação para o setor é o aumento das importações de lácteos do Mercosul, especialmente da Argentina e do Uruguai. Entre janeiro e abril de 2026, o Brasil importou cerca de 65 mil toneladas de leite em pó e 18,2 mil toneladas de queijo, o que equivale a aproximadamente 709 milhões de litros de leite, quase 60 dias de produção gaúcha.
Com o crescimento das importações, a indústria brasileira defende medidas emergenciais para proteger a competitividade do mercado interno e evitar impactos negativos sobre os produtores e laticínios. O seminário reuniu representantes do Ministério da Agricultura e Pecuária, produtores rurais e entidades do setor, com foco em estratégias para fortalecer a sanidade animal e ampliar a presença do leite brasileiro no mercado internacional.











