As exportações de farelo de soja da Índia devem sofrer uma queda acentuada no ciclo 2025/26, o que abre oportunidades significativas para o Brasil no mercado global. Com a produção indiana em declínio e os preços internos em alta, o país não consegue mais competir com os valores praticados por produtores sul-americanos, como o Brasil e a Argentina.
Atualmente, o farelo de soja indiano é negociado a cerca de US$ 680 por tonelada, enquanto os preços do Brasil e da Argentina giram em torno de US$ 430. Essa diferença de preços inviabiliza novos contratos de exportação para a Índia, conforme apontam representantes do setor exportador local. A expectativa é que as exportações indianas caiam pela metade, passando de 2,02 milhões de toneladas no ciclo anterior para aproximadamente 900 mil toneladas.
Oportunidades para o Brasil e Argentina
Com a redução da presença indiana no comércio internacional, o Brasil se posiciona para ampliar suas exportações de farelo de soja, especialmente para mercados asiáticos e europeus. Tradicionalmente, a Índia abastecia países como Bangladesh e Alemanha, mas a alta dos preços internos comprometeu essa vantagem competitiva.
A indústria brasileira, que já conta com uma oferta robusta de soja, pode se beneficiar desse novo cenário. Além disso, a Argentina também deve aumentar sua participação nas vendas globais, aproveitando a maior disponibilidade de farelo nesta temporada.
A alta nos preços do farelo de soja na Índia é impulsionada por uma combinação de fatores, incluindo uma quebra na produção devido a condições climáticas adversas e uma demanda interna aquecida, especialmente da indústria avícola. Essa situação reduz a quantidade de produto disponível para exportação, o que pode impactar o mercado global de proteínas vegetais.
O cenário atual representa uma oportunidade para o agronegócio brasileiro, que pode ver um aumento nas vendas internacionais ao longo de 2026. O complexo soja, um dos principais motores das exportações do país, pode se beneficiar diretamente da migração de compradores asiáticos em busca de alternativas mais competitivas.
À medida que o mercado global monitora as mudanças nos fluxos de proteínas e rações, a posição do Brasil se fortalece. A expectativa é que, com a redução da oferta indiana, o farelo de soja sul-americano se torne ainda mais relevante para os importadores, refletindo em uma possível expansão das exportações brasileiras.











