O setor brasileiro de árvores cultivadas para fins industriais e de restauração ambiental alcançou exportações de US$ 3,6 bilhões no primeiro trimestre de 2026. Esse resultado é significativo, especialmente em um cenário global marcado por medidas protecionistas e tensões geopolíticas, que têm impactado diversos mercados.
Os dados foram divulgados no Boletim Mosaico da Associação Brasileira da Indústria de Árvores (Ibá), que analisa o desempenho da cadeia florestal brasileira. A indústria de árvores cultivadas representou 4,4% das exportações totais do Brasil e 9,6% das vendas externas do agronegócio nacional, destacando sua relevância na balança comercial.
Desempenho dos Produtos Florestais
A celulose se manteve como o principal produto exportado, com 4,8 milhões de toneladas embarcadas, apesar de uma queda de 10,2% em comparação ao ano anterior. Em valor, as vendas de celulose totalizaram US$ 2,6 bilhões, refletindo uma redução de 6,3% em relação a 2025.
O segmento de papel, por sua vez, apresentou estabilidade, com produção de 2,8 milhões de toneladas e um leve crescimento de 0,2%. As vendas internas avançaram 1,8%, indicando uma resiliência no consumo doméstico, enquanto as exportações de papel caíram 4,2% em valor.
Embora o mercado de painéis de madeira tenha crescido 7,4% nas vendas internas, as exportações enfrentaram um recuo de 27,9% em volume. Essa discrepância evidencia os desafios que o setor enfrenta no comércio exterior, com vendas externas somando apenas US$ 74,4 milhões.
A China continua sendo o principal destino das exportações brasileiras de produtos florestais, com importações que somaram aproximadamente US$ 1,3 bilhão. Europa e América do Norte seguem como importantes mercados, mas o crescimento moderado da economia global traz incertezas para o futuro.
O presidente da Ibá, Paulo Hartung, ressaltou a capacidade de adaptação do setor diante das adversidades. A expectativa é que a indústria busque novas oportunidades comerciais em 2026, contribuindo para a economia brasileira e promovendo práticas sustentáveis.
Com as tensões geopolíticas e as políticas comerciais impactando a demanda internacional, o setor de árvores cultivadas deve permanecer atento às mudanças do mercado. A combinação de competitividade e demanda por produtos renováveis posiciona o Brasil como um protagonista na bioeconomia e na indústria florestal sustentável.











