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Família de entregador morto após acidente com viatura contesta versão da PM em Uberlândia
Foto original adaptada visualmente por IA.
Uberlândia

Família de entregador morto após acidente com viatura contesta versão da PM em Uberlândia

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Jean Dias, de 45 anos, morreu após passar cinco dias internado em decorrência de um acidente envolvendo uma viatura da Polícia Militar em Uberlândia. O entregador foi sepultado na última quinta-feira (17).

Jean estava em uma motocicleta fazendo a entrega de uma pizza quando foi atingido pela viatura no cruzamento entre as ruas Tercílio Rodrigues Queiroz e Fioravante Pelizer, no bairro Jardim Canaã. Segundo a família, o veículo policial teria avançado a preferencial.

O Boletim de Ocorrência registra que a viatura trafegava com o giroflex e a sirene acionados. Testemunhas e imagens de câmeras de segurança, porém, contestam essa versão e indicam que o veículo avançou a preferencial sem os sinais de alerta ligados.

De acordo com o registro policial, a equipe do Gepar seguia para um atendimento prioritário envolvendo ameaça e tentativa de feminicídio. O documento afirma que os sinais sonoros e luminosos estavam acionados e atribui o acidente a fatores como a má sinalização no solo, uma placa de “PARE” encoberta por uma árvore, velocidade incompatível e a ausência de colete refletivo por parte do motociclista.

Imagens de câmeras de segurança e relatos de moradores que presenciaram o acidente contestam o registro. Os vídeos mostram a viatura com os faróis comuns acesos, mas sem o giroflex ligado no momento da colisão. O sinal luminoso aparece acionado apenas em gravações feitas depois da batida, quando o veículo já estava parado alguns metros à frente.

Testemunhas afirmaram que não ouviram sirenes antes do acidente e disseram que os policiais teriam arrastado a vítima por cerca de dez metros, além de demorarem para acionar o socorro médico adequado. A família também questionou a realização do teste do etilômetro em Jean enquanto ele estava com o pulmão perfurado. O resultado foi negativo para o entregador e para o policial que conduzia a viatura.

Os parentes ainda questionam a ausência de perícia técnica no local. Conforme consta no próprio boletim, o perito acionado informou que não iria ao endereço. A viatura foi removida e a motocicleta entregue a um custodiante, o que gerou acusações de alteração da cena do acidente.

Segundo registros e relatos da família, Jean sofreu traumatismo cranioencefálico, fraturas em todas as costelas, fratura no fêmur e perfuração no pulmão. A morte encefálica foi confirmada na segunda-feira (14), mesma data do aniversário do filho caçula, que completou sete anos.

A esposa do entregador relatou a situação: “Fizeram alguns testes e viram que o cérebro não respondia mais, não tinha sinal na pupila nem na garganta. Disseram que não tinha mais o que fazer. A pancada foi muito forte, espremeu o cérebro dele”.

Jean deixou a esposa, com quem completaria 25 anos de casamento em janeiro, e quatro filhos, dois deles com necessidades especiais. Ele era o único provedor da família e responsável por levar os filhos às terapias de tratamento.

“Não sei o que vai acontecer com a minha vida a partir de agora. Meu esposo era a coluna da minha casa, tudo o que tínhamos pra fazer era ele que levava a gente. Nosso filho caçula dormia no peito do Jean, e agora procura por ele todas as noites e não acha. Em janeiro íamos fazer 25 anos de casados e queríamos viajar, mas isso agora não vai mais acontecer”, desabafou a esposa.

Apesar do luto e das incertezas financeiras para a criação dos quatro filhos, a mulher autorizou a doação de todos os órgãos de Jean após a confirmação da morte encefálica. A decisão poderá beneficiar oito pessoas que aguardavam na fila de transplantes.

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