O mercado de farelo e óleo de soja apresenta um cenário misto em 2026. Enquanto a demanda por óleo se mantém forte, impulsionada pelo setor energético e programas de biocombustíveis, o farelo enfrenta desafios devido ao aumento da produção global e à concorrência acirrada.
De acordo com o relatório Agro Mensal de junho da Consultoria Agro do Itaú BBA, a análise do complexo soja revela um crescimento no esmagamento mundial, especialmente entre os principais países produtores, como Brasil e Argentina.
Óleo de soja se destaca com demanda crescente
O óleo de soja foi o grande protagonista do complexo soja em maio, com cotações internacionais em alta em Chicago. Essa valorização é atribuída à alta do petróleo e à expectativa de ampliação dos mandatos de biodiesel em mercados consumidores importantes.
Iniciativas como a adoção da mistura B50 na Indonésia e discussões sobre o B15 na Malásia reforçam a demanda por óleo de soja, que fechou maio com uma valorização média de 8,3%, consolidando-se como o produto de melhor desempenho do setor.
Farelo de soja enfrenta pressão de oferta
Por outro lado, o farelo de soja teve um desempenho mais modesto, com leve valorização no mercado internacional, mas pressionado pelo aumento da oferta global. A expansão do esmagamento na América do Sul, especialmente no Brasil e na Argentina, aumentou a disponibilidade do insumo para a alimentação animal.
No Brasil, a situação é ainda mais crítica. Em Mato Grosso, principal polo de processamento do país, os preços do farelo recuaram devido à oferta abundante e à valorização do real frente ao dólar.
Exportações em alta, mas com desafios à vista
Apesar da pressão sobre os preços, as exportações brasileiras de farelo de soja cresceram 4,6% até maio de 2026, enquanto os embarques de óleo aumentaram expressivamente em 40,9%. Esse desempenho é resultado do maior processamento doméstico e da demanda internacional, especialmente da Ásia e Europa.
As projeções para a safra 2026/27 indicam que a produção global de derivados de soja continuará a crescer, aumentando a competição entre exportadores e pressionando os preços internacionais, especialmente do farelo.
O equilíbrio entre a demanda energética e a oferta agrícola será crucial nos próximos meses. Enquanto o óleo de soja deve se beneficiar da transição energética, o farelo enfrentará um ambiente competitivo, exigindo atenção dos produtores em suas estratégias de comercialização.











