Uma disputa de vizinhança iniciada no fim de 2025, em um condomínio de Alphaville Residencial 9, em Santana de Parnaíba (SP), transformou-se em um processo criminal envolvendo o cantor Fiuk. A defesa do artista pediu que o caso seja encaminhado à Justiça Restaurativa, com o objetivo de promover diálogo e mediação entre as partes.
O conflito começou após Fiuk se mudar para uma residência cujo estúdio de gravação fica ao lado da casa onde vivem Thiago, a mãe dele, Andréa, e a tia, Mônica. O cantor afirmava que o latido constante de um cachorro prejudicava seu trabalho e agravava crises de ansiedade e pânico. Os vizinhos, por outro lado, reclamavam do barulho provocado por carros esportivos e escapamentos supostamente adulterados, além da fumaça emitida pelos veículos.
Em 4 de março de 2026, Fiuk enviou uma mensagem por WhatsApp a Thiago para tentar resolver o impasse. O vizinho foi até a porta da casa do cantor e, segundo o conteúdo anexado aos autos, o desafiou a sair e encontrá-lo na rua. Áudios da conversa e uma imagem de Thiago registrada por câmeras de segurança da residência de Fiuk também foram incluídos no processo.
O episódio resultou no registro de um Termo Circunstanciado por ameaça contra o vizinho. O procedimento foi posteriormente arquivado a pedido do Ministério Público, que entendeu que conflitos dessa natureza devem ser solucionados, preferencialmente, pelas vias cível ou pelas regras internas do condomínio.
Em 18 de março, Andréa e Mônica registraram um Boletim de Ocorrência contra Fiuk, acusando-o de perturbação do trabalho ou do sossego alheios. Conforme a defesa do cantor, a denúncia teria sido uma reação ao registro feito anteriormente por Fiuk contra Thiago.
O caso chegou à Vara Criminal de Santana de Parnaíba. Em audiência preliminar realizada em 30 de junho, o Ministério Público ofereceu uma proposta de transação penal, que previa dois meses de prestação de serviços comunitários ou o pagamento de meio salário mínimo. Fiuk recusou o acordo e decidiu apresentar sua defesa.
Em 7 de julho de 2026, a Justiça recebeu a denúncia contra o cantor e determinou que a associação de moradores encaminhasse o histórico de reclamações do condomínio dos últimos 24 meses. Na resposta à acusação, os advogados de Fiuk afirmam que a denúncia não indica datas, horários ou provas concretas dos supostos abusos sonoros. A defesa também argumenta que o fato de o cantor ser músico e piloto de drift não significa que ele produza barulhos abusivos em casa, além de questionar a proximidade das testemunhas de acusação com o vizinho.
Em 22 de outubro, a defesa solicitou o encaminhamento do processo à Justiça Restaurativa. Segundo os argumentos apresentados, a medida seria importante porque os envolvidos continuam morando no mesmo condomínio e uma sentença de condenação ou absolvição não seria suficiente para encerrar o conflito. Nesta sexta-feira (23), a juíza enviou o pedido ao Ministério Público para manifestação.











