O centro histórico de Salvador recebeu, na noite de quarta-feira (5), a cerimônia de abertura da décima edição da Festa Literária Internacional do Pelourinho (Flipelô). A programação começou com show da cantora e compositora Belô Velloso e uma intervenção teatral baseada nos versos da poetisa Myriam Fraga (1937-2016), homenageada do evento neste ano.
Entre os participantes estava a escritora baiana Maria do Carmo, de Mutuípe (BA), que foi pela primeira vez à Flipelô para lançar o livro Trilhas de Alforria, sobre o combate ao racismo. Ela destacou a importância das feiras e festas literárias como espaços de encontro cultural e resistência.
“Feira literária, para mim, é espaço de representatividade cultural”, afirmou Maria do Carmo. Segundo ela, a programação da Flipelô permite que a população tenha acesso gratuito a uma mistura de expressões artísticas, como literatura, música, dança e teatro.
Também presente na abertura, a escritora baiana Magnólia Gomes de Oliveira vai lançar o livro Destinos Entrelaçados na Casa Motiva, instalada no Vale do Dendê. A obra se passa em Feira de Santana e narra o encontro de duas pessoas que vivem uma grande paixão, mas enfrentam impedimentos para ficar juntas.
Magnólia é fundadora do coletivo Autores da Resistência, voltado à difusão da literatura na região do Recôncavo Baiano, e do Passeio Literário, grupo formado nas redes sociais. Para ela, a Flipelô é importante para incentivar a leitura e levar a literatura a diferentes públicos.
“Queremos transformar o Brasil em um país de leitores”, disse a escritora, que acompanha a festa há alguns anos.
Outro participante que lançará um livro durante o evento é Domingos Ailton, secretário de Cultura e Turismo de Jequié (BA). Autor de Anésia Cauaçu, obra sobre a primeira mulher que ingressou no cangaço e viveu no sertão de Jequié, ele também é responsável pela Festa Literária Internacional do Sertão de Jequié (Felisquié).
A Felisquié completará 10 anos neste ano e homenageará o centenário do geógrafo Milton Santos. Para Domingos Ailton, a literatura é essencial para a vida e está presente desde as antigas narrativas orais.
“Sem a literatura, a vida perde o sentido. Desde o tempo das narrativas orais, que depois se tornaram livros, a gente não pode pensar em falar, escrever, pensar ou refletir sem a literatura”, ressaltou.
Considerada o maior evento literário da Bahia, a Flipelô é inspirada na Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) e realizada anualmente pela Fundação Casa de Jorge Amado. A edição deste ano marca os 10 anos da festa, os 25 anos da morte de Jorge Amado (1912-2001) e os 40 anos de criação da fundação.
Idealizada por Myriam Fraga, a Flipelô foi criada para preservar e valorizar a memória de Jorge Amado, a cultura e a arte da Bahia, além de estimular a literatura, principalmente entre os jovens.
O evento segue até domingo (9) e deve reunir mais de 500 escritores brasileiros e nove estrangeiros, entre eles Ana Maria Gonçalves, Itamar Vieira Júnior, Carla Madeira, Milton Hatoum, Tracy Mann e Pablo Fidalgo. A programação está disponível no site oficial da festa.
A repórter e a fotógrafa viajaram a convite do Instituto Motiva, patrocinador e parceiro oficial de mobilidade da Flipelô 2026.











