O mercado de flores no Brasil, que movimentou cerca de R$ 23,3 bilhões em 2025, enfrenta um desafio significativo: a rastreabilidade das variedades. Apesar do crescimento expressivo, a origem das flores ainda é desconhecida para muitos consumidores, o que contrasta com outros setores do agronegócio, onde a procedência é um diferencial valorizado.
No varejo, a falta de informação sobre a origem das flores é evidente. Compradores em supermercados e floriculturas raramente sabem quem desenvolveu as variedades que consomem ou quais direitos de propriedade intelectual estão envolvidos na sua produção.
Desenvolvimento Genético e Propriedade Intelectual
As empresas conhecidas como breeders são fundamentais para o melhoramento genético das flores. Elas investem décadas em pesquisa para criar novas cultivares com características específicas, como resistência a pragas e durabilidade. No Brasil, a produção de variedades protegidas é regulamentada pela Lei de Proteção de Cultivares, exigindo contratos formais e pagamento de royalties.
O diretor da Könst Alstroemeria, Paco van de Louw, destaca que o desenvolvimento de uma nova variedade pode levar de 10 a 12 anos, com apenas uma fração mínima chegando ao mercado. Ele ressalta a importância da fiscalização para garantir que o sistema de licenciamento funcione adequadamente em toda a cadeia produtiva.
A alstroemeria é um exemplo de como a adoção de cultivares licenciadas pode transformar o setor. O produtor Pedro De Wit, da Cooperflora, foi um dos pioneiros nesse modelo no Brasil, que permitiu a consolidação da produção nacional e a evolução genética das flores.
Impactos da Irregularidade na Cadeia Produtiva
O cultivo de variedades protegidas sem contrato formal gera impactos negativos em toda a cadeia produtiva. Isso não apenas prejudica os breeders, que não são remunerados, mas também distorce a concorrência, permitindo que produtores irregulares operem com custos menores.
Nos últimos anos, o setor tem avançado em rastreabilidade e profissionalização. A Cooperflora, por exemplo, adota contratos de licenciamento e utiliza padrões internacionais para rastrear a origem das flores, refletindo uma mudança no comportamento do consumidor que valoriza a procedência.
À medida que a origem das flores se torna um diferencial de valor, o setor de floricultura brasileiro segue uma tendência observada em outros segmentos do agronegócio. Especialistas acreditam que a rastreabilidade e o reconhecimento dos breeders serão fundamentais para fortalecer a cadeia formal e agregar valor aos produtos.











