A inteligência artificial desempenha um papel crucial na descoberta de mais de 10 mil novos candidatos a exoplanetas, segundo um estudo recente publicado no periódico The Astrophysical Journal. Pesquisadores utilizaram essa tecnologia para analisar dados do Satélite de Pesquisa de Exoplanetas em Trânsito (TESS), da NASA, ampliando significativamente a busca por mundos além do nosso Sistema Solar.
Quando um objeto é identificado pela primeira vez, ele é classificado como “candidato” até que sua existência seja confirmada por meio de testes adicionais. Isso se deve ao fato de que alguns sinais observados podem ser causados por fenômenos diferentes ou por interferências nos dados. Portanto, a confirmação exige análises rigorosas realizadas por diversos métodos e observatórios.
Como o TESS Descobre Exoplanetas
Lançado em 2018, o TESS monitora o brilho de milhões de estrelas em busca de variações que indiquem a passagem de planetas. Esse processo, conhecido como “trânsito”, ocorre quando um planeta passa na frente de sua estrela, causando uma leve diminuição no brilho observado. O TESS é especialmente eficaz ao analisar estrelas mais brilhantes, mas o novo estudo focou em estrelas muito mais fracas.
Os pesquisadores examinaram estrelas 16 vezes menos brilhantes do que o padrão habitual. Para processar a enorme quantidade de dados, a equipe utilizou técnicas de aprendizado de máquina, uma forma de inteligência artificial que identifica padrões rapidamente. No total, mais de 83 milhões de estrelas foram analisadas, resultando na identificação de 10.091 objetos com sinais semelhantes a trânsitos planetários.
Embora muitos dos novos candidatos possam não ser planetas reais, novas observações estão sendo realizadas para verificar quais sinais correspondem a exoplanetas. Até o momento, um dos candidatos foi confirmado, chamado TIC 183374187 b, que se assemelha a um “Júpiter quente” devido à sua proximidade com a estrela hospedeira.
Os pesquisadores planejam continuar suas investigações utilizando dados do segundo ano de operação do TESS. A expectativa é encontrar ainda mais candidatos e aprimorar os métodos de confirmação com o uso de inteligência artificial. Além disso, a NASA está se preparando para futuras missões, como o Telescópio Espacial Nancy Grace Roman, que permitirá observar diretamente alguns exoplanetas e estudar suas atmosferas.
Essas descobertas não apenas ampliam nosso conhecimento sobre o universo, mas também têm implicações significativas para a busca de vida fora da Terra. Com o avanço das tecnologias de inteligência artificial, o futuro da astronomia promete ser ainda mais empolgante, revelando mundos que antes estavam além do nosso alcance.











