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Justiça dos EUA considera ilegal bloqueio de negócios da Anthropic pelo governo Trump
Foto original adaptada visualmente por IA.
Inteligência Artificial

Justiça dos EUA considera ilegal bloqueio de negócios da Anthropic pelo governo Trump

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A Justiça dos Estados Unidos decidiu que o governo Trump agiu ilegalmente ao classificar a Anthropic como um risco à cadeia de fornecimento e impedir que a empresa realizasse negócios com o governo. A juíza federal Rita Lin concluiu que a medida representou retaliação por manifestações protegidas pela Primeira Emenda da Constituição.

O conflito começou depois que a Anthropic estabeleceu limites para o uso militar de sua inteligência artificial. Segundo o The New York Times, a decisão encerra a primeira de duas ações judiciais movidas pela empresa contra o governo.

A disputa envolveu um contrato de US$ 200 milhões, o equivalente a cerca de R$ 1,03 bilhão, para o fornecimento de tecnologia de inteligência artificial ao Pentágono em sistemas classificados. A empresa queria impedir dois usos específicos: a vigilância em massa de americanos e o emprego de armas autônomas capazes de matar alvos sem supervisão humana.

O Pentágono discordou das restrições. Para o governo, uma empresa privada não poderia estabelecer políticas para os Estados Unidos. O secretário de Defesa, Pete Hegseth, classificou a Anthropic como um risco à cadeia de fornecimento, categoria antes utilizada contra empresas estrangeiras consideradas ameaças à segurança nacional.

Com a classificação, fornecedores e contratados das Forças Armadas ficaram impedidos de fazer negócios com a Anthropic.

A empresa recorreu à Justiça e alegou que a classificação não se aplicava ao caso. Também afirmou que a medida tinha motivação ideológica e violava seus direitos constitucionais.

Em uma decisão de 59 páginas, Rita Lin concluiu que o governo retaliou a Anthropic por atividades protegidas pela Constituição. “O uso vazio da segurança nacional não é um cheque em branco para punir e retaliar críticos do governo”, escreveu a juíza.

Outro ponto analisado foi a possibilidade de a Anthropic desativar ou alterar seus modelos durante uma guerra. Lin já havia questionado a existência de evidências para essa hipótese. De acordo com o The New York Times, o governo recuou de várias de suas principais alegações sobre o assunto.

Para a juíza, o bloqueio tinha como objetivo transformar a empresa em um exemplo público por causa de sua postura crítica.

A Anthropic apresentou duas ações em 9 de março. A primeira, na Califórnia, resultou na decisão de Lin. A segunda tramita no Tribunal de Apelações dos Estados Unidos para o Circuito do Distrito de Columbia.

O episódio também ganhou um novo capítulo com o modelo de inteligência artificial Mythos. Em junho, o governo pediu que a Anthropic restringisse o acesso de clientes ao sistema por razões de segurança nacional. Após duas semanas de negociações, a empresa pôde restaurar o acesso à maioria dos clientes, com algumas salvaguardas.

“Saudamos a decisão do tribunal de que essa classificação de risco à cadeia de fornecimento foi ilegal”, afirmou a Anthropic.

A decisão representa uma vitória para a empresa, mas não encerra a disputa. O governo Trump ainda pode recorrer, enquanto o segundo processo continua em andamento.

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