O presidente Lula (PT) elevou o tom contra a família Bolsonaro ao associar a nova ameaça tarifária dos Estados Unidos à atuação dos filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) junto ao governo de Donald Trump. Durante uma agenda em Catalão, Goiás, Lula classificou os filhos do ex-capitão como “vendilhões da pátria” e “traidores”, acusando-os de trabalharem contra os interesses brasileiros no exterior.
As declarações de Lula surgem após o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) recomendar a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros. Essa proposta ainda depende da decisão de Trump e faz parte de uma investigação aberta contra o Brasil com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974.
Impactos da Tarifa nos Relações Brasil-EUA
Lula lembrou da sobretaxa de 50% anunciada por Trump em 2025 e afirmou que, na época, optou por responder com argumentos econômicos. Ele destacou que sua “guerra é a guerra da verdade contra a mentira”, buscando demonstrar que os Estados Unidos mantêm superávit comercial na relação bilateral.
O presidente também mencionou manifestações públicas dos filhos de Bolsonaro após o anúncio da tarifa do ano passado. Lula citou um post de Flávio Bolsonaro, que agradeceu a Trump pela decisão, o que, segundo ele, revela a contradição nas ações da família Bolsonaro.
Flávio Bolsonaro, por sua vez, afirmou ter pedido diretamente a Trump e outros líderes norte-americanos que não impusessem tarifas sobre empresas brasileiras. Em entrevista, ele declarou que a medida é uma retaliação contra Lula, evidenciando a tensão nas relações entre os dois lados.
No discurso em Goiás, Lula sugeriu que sua recente reunião com Trump havia incomodado o bolsonarismo, associando a movimentação da família à nova recomendação tarifária apresentada pelo USTR. Ele reafirmou que os filhos de Bolsonaro tentaram se desvincular do episódio, mas ressaltou que suas ações têm consequências diretas para o povo brasileiro.
A recomendação do USTR ainda passará por consulta pública e audiências antes da adoção de medidas. A decisão final sobre a aplicação da tarifa caberá a Donald Trump, e os desdobramentos dessa situação podem impactar diretamente a economia brasileira, especialmente setores como o agronegócio.











