A manutenção da saúde do solo é um dos principais desafios da agricultura em regiões tropicais. Temperaturas elevadas, chuvas intensas e períodos de estiagem podem acelerar a degradação da estrutura do solo, aumentar a erosão, favorecer a lixiviação de nutrientes e reduzir os níveis de matéria orgânica.
Esses fatores afetam o desenvolvimento das raízes e o potencial produtivo das culturas. Por isso, o manejo agrícola precisa ir além da reposição de nutrientes, combinando práticas conservacionistas e tecnologias que favoreçam o desenvolvimento das plantas.
“Temperaturas elevadas, chuvas intensas e períodos de déficit hídrico levam à erosão, compactação, lixiviação de nutrientes e perda de matéria orgânica. Daí a importância de cuidar bem do solo”, explica Mayara Nicolau, doutora em Agronomia e coordenadora de mercado da Acadian Sea Beyond.
Entre as práticas recomendadas estão a rotação de culturas, o cultivo de plantas de cobertura, a manutenção de resíduos vegetais na superfície e o sistema de plantio direto. Essas medidas ajudam a reduzir a exposição do solo à ação direta da chuva e do sol, proteger sua estrutura e conservar a umidade.
A fertilidade é um componente essencial da produtividade agrícola, mas seus resultados também dependem das condições físicas, químicas e biológicas do solo. Quando esses fatores estão equilibrados, as raízes encontram um ambiente mais favorável para crescer e explorar o volume de terra disponível.
A matéria orgânica contribui para a formação e a estabilidade dos agregados do solo, favorece a retenção de água e nutrientes e sustenta a atividade de organismos envolvidos nos processos biológicos do ambiente agrícola. Nos trópicos, entretanto, as temperaturas elevadas podem acelerar sua decomposição.
Por isso, a conservação da palhada e o aporte contínuo de resíduos vegetais são considerados importantes para manter a qualidade do solo. O monitoramento da cobertura vegetal e o planejamento do sistema de produção também ajudam a reduzir a exposição da superfície, conservar a umidade e favorecer o desenvolvimento das raízes.
Além das práticas tradicionais de conservação, pesquisas investigam o uso de extratos de algas marinhas como ferramentas complementares no manejo agrícola. A Acadian Sea Beyond desenvolve estudos sobre a aplicação desses extratos no solo e sua relação com os processos biológicos e o desenvolvimento das plantas.
Um dos destaques é a alga Ascophyllum nodosum, encontrada na costa do Atlântico Norte. Em seu ambiente natural, ela está sujeita a variações de maré, salinidade, temperatura, luminosidade e períodos de dessecação, condições associadas a mecanismos naturais de adaptação e à presença de compostos bioativos.
Na agricultura, os extratos da alga são utilizados em tecnologias de bioestimulação vegetal. O potencial está relacionado à possibilidade de estimular respostas fisiológicas das plantas e complementar as estratégias de manejo e nutrição. Os resultados, no entanto, dependem das condições de cultivo, da forma de aplicação e das características de cada sistema produtivo.
Uma das frentes de interesse é a relação entre a bioestimulação, o desenvolvimento radicular e o aproveitamento dos recursos disponíveis no solo. Raízes bem desenvolvidas podem explorar um volume maior de terra, ampliando as possibilidades de acesso à água e aos nutrientes, especialmente em regiões sujeitas a períodos de déficit hídrico ou a oscilações ambientais.
“Tecnologias à base de Ascophyllum nodosum integram esse conjunto de estratégias ao estimular respostas fisiológicas importantes para o desenvolvimento vegetal”, afirma Mayara Nicolau.
Segundo a abordagem apresentada, os bioestimulantes à base de algas marinhas devem integrar um planejamento agronômico adequado e não substituem as práticas fundamentais de conservação do solo. A saúde do solo depende da combinação entre manejo da fertilidade, rotação de culturas, plantas de cobertura, preservação da palhada, plantio direto e tecnologias adaptadas à realidade de cada lavoura.
A proposta é formar sistemas produtivos capazes de conservar os recursos naturais, melhorar o aproveitamento de água e nutrientes e sustentar a produtividade agrícola ao longo das safras.
Fonte: Portal do Agronegócio.











