O mercado de arroz brasileiro encerrou maio em um cenário de travamento nas negociações, com baixa liquidez e dificuldades na formação de preços. Essa situação reflete a desarmonia entre produtores, indústrias e o varejo, o que tem gerado fragilidade comercial no setor.
Conforme análise da consultoria Safras & Mercado, a comercialização no mercado físico está limitada, com transações ocorrendo de forma esporádica e sem a presença significativa de compradores. As referências de preço permanecem abaixo de R$ 60 por saca de 50 quilos no Rio Grande do Sul, principal estado produtor do país.
Desafios nas negociações e impacto no produtor
Em Santa Catarina, os preços variam entre R$ 52 e R$ 56 por saca, evidenciando a pressão no Sul do Brasil. O consultor Evandro Oliveira destaca que há uma fragmentação entre os segmentos da cadeia produtiva, onde os produtores tentam evitar novas reduções de preços, enquanto a indústria adota uma postura cautelosa nas aquisições.
Esse cenário de travamento operacional gera baixa previsibilidade comercial, dificultando o alinhamento entre produção, beneficiamento e supermercados. Para o produtor rural, isso significa um ambiente desafiador para a comercialização de sua produção, impactando diretamente suas margens de lucro.
O arroz beneficiado se tornou um dos principais gargalos nas negociações. A desaceleração nas vendas no varejo tem reduzido o ritmo de compras das grandes redes supermercadistas, afetando o escoamento do produto industrializado e pressionando ainda mais os preços.
Perspectivas internacionais e preços em queda
Apesar das dificuldades no mercado interno, fatores externos começam a trazer sinais mais positivos. Dificuldades competitivas enfrentadas pelos Estados Unidos e a valorização dos preços do arroz na Ásia podem contribuir para uma melhora gradual no ambiente comercial.
No fechamento do dia 28 de maio, a média da saca de arroz no Rio Grande do Sul foi cotada a R$ 59,49, representando uma queda de 0,13% em relação à semana anterior e uma desvalorização de 6,61% no mês. Em comparação com o mesmo período de 2025, a queda acumulada chega a 18,87%, refletindo a fragilidade do mercado arrozeiro brasileiro.











