O mercado do açúcar enfrenta um cenário misto, com quedas nas bolsas internacionais, enquanto os preços no Brasil mostram sinais de recuperação. A pressão sobre os preços globais é impulsionada pelo aumento da oferta mundial e pela desvalorização do petróleo, que afeta diretamente a competitividade do etanol.
Açúcar bruto e branco em baixa nas bolsas internacionais
Na ICE Futures US, os contratos futuros do açúcar bruto fecharam em queda, com o vencimento de julho/26 cotado a 14,08 centavos de dólar por libra-peso. Essa tendência de baixa é refletida também na ICE Futures Europe, onde o açúcar branco registrou perdas, com contratos de agosto/26 a US$ 445,00 por tonelada.
Essas quedas são atribuídas à forte produção nos principais países exportadores, que aumentam a disponibilidade da commodity no mercado global. A expectativa de uma safra robusta no Brasil e na Tailândia contribui para essa pressão sobre os preços.
Recuperação no mercado físico brasileiro
Em contraste com o cenário internacional, o açúcar cristal no mercado paulista apresentou uma valorização, com a saca de 50 quilos sendo negociada a R$ 92,90, alta de 1,69% em relação ao dia anterior. Essa recuperação, embora positiva, ainda reflete um ambiente cauteloso, com um recuo acumulado de 0,11% em junho.
O etanol hidratado também seguiu a tendência de alta, sendo negociado a R$ 2.321,50 por metro cúbico, com uma valorização de 0,39%. No entanto, o biocombustível ainda enfrenta desafios, acumulando uma queda de 1,28% no mês devido ao aumento da oferta durante a safra.
Impactos do petróleo e clima no mercado
A recente queda nos preços do petróleo continua a ser um fator crítico, tornando o etanol menos competitivo. Com combustíveis fósseis mais baratos, há uma tendência de direcionar mais cana para a produção de açúcar, o que pode aumentar ainda mais a oferta no mercado internacional.
Além disso, as preocupações climáticas, especialmente relacionadas ao fenômeno El Niño, podem impactar a produção nas principais regiões produtoras. Esses fatores criam um cenário de incerteza que pode influenciar os preços do açúcar nas próximas semanas.
Em resumo, o mercado do açúcar está em um momento de transição, com a recuperação dos preços no Brasil oferecendo um alívio aos produtores, enquanto as pressões globais e climáticas continuam a ser monitoradas de perto. A evolução da safra e o comportamento do petróleo serão cruciais para determinar os rumos do setor nos próximos meses.











