A Procuradoria-Geral de Justiça de São Paulo rejeitou a delação premiada de Roberto Augusto Leme da Silva, conhecido como Beto Louco, um dos principais alvos da Operação Carbono Oculto. A decisão, anunciada nesta quarta-feira, 6, pelo procurador-geral Paulo Sérgio de Oliveira e Costa, também se estendeu a Mohamad Hussein Mourad, o Primo, sócio de Beto Louco e outro investigado na operação.
Ambos são apontados como líderes de um esquema de lavagem de dinheiro vinculado ao Primeiro Comando da Capital (PCC). As propostas de delação foram consideradas insatisfatórias pelos promotores, que alegaram a omissão de informações cruciais, como conexões mais amplas com a facção criminosa e a falta de menção a agentes políticos relevantes.
Relevância da Decisão
A negativa do MP pode ter impactos significativos nas investigações em curso. Fontes indicam que as informações apresentadas nas delações eram, em sua maioria, já conhecidas ou facilmente obtidas por outros meios. Isso levanta questionamentos sobre a eficácia das colaborações propostas por Beto Louco e Primo.
Antes de buscar o MP paulista, Beto Louco havia tentado negociar um acordo com a Procuradoria-Geral da República, prometendo informações sobre parlamentares e lideranças políticas. Contudo, as tratativas não avançaram, evidenciando a dificuldade em obter colaborações que possam trazer novos elementos às investigações.
A Operação Carbono Oculto, deflagrada em agosto de 2025, investiga um esquema complexo que envolve a lavagem de dinheiro através de empresas do setor de combustíveis. As autoridades afirmam que Beto Louco e Mourad utilizavam a formuladora de combustíveis Copape e a distribuidora Aster para fraudar créditos tributários e lavar dinheiro do PCC.
As investigações revelam que o grupo controlava toda a cadeia produtiva, desde usinas de etanol até postos de combustíveis em diversos estados. Além disso, há indícios de que integrantes da facção criminosa ameaçavam donos de postos independentes para forçá-los a vender seus estabelecimentos.
Embora a delação tenha sido rejeitada, o MP não descarta a possibilidade de um novo acordo no futuro, caso surjam novas informações ou interesses das partes envolvidas. A situação permanece em aberto, enquanto as investigações continuam a se desenrolar.











