Com o tempo, a dor talvez deixe de ocupar todos os espaços, mas isso não significa que ela desapareça. Ela aprende outros caminhos para existir dentro da gente. Às vezes, aparece em uma lembrança, em uma música, em um cheiro, em uma data ou naquele silêncio inesperado que nos faz perceber, mais uma vez, a ausência.
O luto permanece, mas nunca permanece da mesma forma.
Há dias em que ele pesa. Há dias em que quase conseguimos esquecê-lo. E há momentos em que ele volta, não necessariamente como uma ferida aberta, mas como uma saudade profunda de algo — ou de alguém — que já não pode voltar.
Talvez seja isso que ninguém nos ensine sobre a perda: não aprendemos a deixar de sentir. Aprendemos, aos poucos, a carregar o sentimento de uma maneira diferente.
E seguir em frente não significa deixar alguém para trás. Significa aprender a viver com a ausência e, ainda assim, continuar encontrando motivos para estar presente na própria vida.
No início, até nosso corpo sente. Reflexos como dores, enjôos, fadiga extrema… o corpo dá sinais da ausência. Na nossa mente, um misto de emoções. A dor flutua. Para quem ainda não sentiu, é difícil explicar. Em certos momentos a gente chega a pensar que não vamos aguentar mais, e de repente estamos em gargalhadas por uma simples lembrança. E quando precebmos, caimos novamente no abismo da falta, da dor, da tristeza.
Com o passar do tempo, a dor vai dando espaço pra outros sentimentos. A gente passa a sentir falta da voz. Aquela voz que antes era vivída, passa a ser algo bem distante. Passamos a entender que nossa vida segue, mesmo com a falta daquela pessoa que antes foi tão presente na sau vida. Os dias vão se encaixando. O que antes era estranho, passa a ser normal. Você entende que aquela ligação não vais mais acontecer. Aquele almoço de domingo passa a ter presença de pessoas diferenetes.
Você se apega a alguns itens que possam te conectar e te ajudar a talvez, quem sabe, se sentir mais vivo. Sim, porque inicalmente a gente acha que também partiu. Uma parte da gente sempre se vai com aqueles que amamos de verdade. Pode até parecer exagero, porém, é algo que não conseguimos explicar. É como se por um momento, a gente se sentisse culpados por viver.
Não somos. E essa é a lição da vida.
Ela segue.
O luto muda.
A dor muda.
E cá estamos nós…
Na LUTA.











