A Câmara dos Deputados passou a ter 135 parlamentares pretos e pardos, contra 139 na legislatura anterior. Para a cientista política Evelyn Apolinária, pesquisadora e professora do Centro Universitário de Brasília (Ceub), a redução de quatro cadeiras é menos relevante do que a permanência da sub-representação da população negra.
“Os negros são cerca de metade das candidaturas à Câmara e pouco mais da metade da população, mas ocupam pouco mais de 25% das cadeiras”, lamentou Evelyn. Dos 135 parlamentares pretos e pardos eleitos neste domingo (4), 77 foram reeleitos.
Na avaliação da pesquisadora, os recursos de campanha, o acesso ao financiamento e as estruturas partidárias continuam distribuídos de forma desigual. “As regras de incentivo, como a distribuição proporcional dos fundos, não bastaram para reduzir essa distância”, afirmou.
A federação formada por União Brasil e Progressistas foi a que mais elegeu parlamentares negros, com 32 cadeiras, o equivalente a 23,7% do total.
Doutoranda na Universidade de Brasília (UnB), Evelyn Apolinária ressalta que a presença de parlamentares negros não significa, por si só, a existência de uma agenda única sobre o combate ao racismo.
“O número de parlamentares negros não diz, por si só, nada sobre a orientação ideológica de cada um. Apenas a representação por raça e cor não garante uma agenda una e coesa nessa questão”, afirmou.
Segundo a pesquisadora, estudos sobre representação mostram que a presença de um determinado grupo não assegura a defesa de interesses comuns, que podem ser variados. Ela acrescenta que a atuação antirracista no Legislativo costuma se concentrar em partidos de esquerda e centro-esquerda.
Na avaliação de Evelyn, um Congresso mais alinhado à direita tende a reduzir a apresentação de novos projetos de combate ao racismo, além de dificultar a ampliação de políticas afirmativas e do orçamento destinado à área de igualdade racial.
Entre os fatores que podem influenciar a atuação dos parlamentares sobre o tema está o resultado do segundo turno presidencial, que deverá definir a relação entre o Executivo e o Legislativo. A força da bancada negra e sua presença no colégio de líderes também podem contribuir para manter a pauta em discussão, mesmo diante de uma maioria menos favorável.
“Eu falaria em risco de menor prioridade e de maior conflito, não em ausência garantida de pautas”, disse a pesquisadora.











