Um estudo recente revela que o Brasil perde anualmente 94,4 bilhões de reais devido à exclusão da população LGBTQIA+ do mercado de trabalho. A pesquisa, realizada pelo Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania em parceria com o Banco Mundial, destaca a necessidade urgente de políticas inclusivas para esse grupo, que enfrenta altos índices de discriminação e desemprego.
O levantamento, intitulado “O Custo Econômico da Exclusão Baseada em Orientação Sexual, Identidade e Expressão de Gênero e Características Sexuais no Mercado de Trabalho”, aponta que a exclusão dessa população pode impactar o PIB brasileiro em até 0,8%. Além disso, as perdas fiscais anuais superam 14 bilhões de reais, resultado da combinação entre menor arrecadação e aumento dos gastos públicos.
Impacto no Mercado de Trabalho
A pesquisa revela que a taxa de desemprego entre trabalhadores LGBTQIA+ é de 15,2%, o dobro da média nacional, que é de 7,7%. Além disso, 37,4% dessa população está fora do mercado formal, evidenciando uma realidade de precariedade e exclusão. Esses dados reforçam a necessidade de ações efetivas para garantir oportunidades iguais.
Symmy Larrat, secretária Nacional dos Direitos da Pessoa LGBTQIA+ do Ministério do Trabalho, destaca que a discriminação no ambiente de trabalho resulta em salários mais baixos e limitações nas promoções. Essa situação não apenas prejudica os trabalhadores, mas também gera custos adicionais para o Estado, como o pagamento de seguro-desemprego e benefícios sociais.
Samuel Araújo, coordenador de Pesquisa do Instituto Matizes, explica que a análise comparativa entre indivíduos com perfis semelhantes mostra que a população LGBTQIA+ é frequentemente alocada em posições que não utilizam todo o seu potencial. Isso não apenas limita suas oportunidades, mas também reduz a arrecadação do governo.
A pesquisa também aborda a interseccionalidade, indicando que mulheres trans, especialmente se negras, enfrentam uma situação ainda mais crítica. Ricardo Sales, do Instituto Mais Diversidade, ressalta que o preconceito não é apenas uma questão de direitos humanos, mas um problema que afeta a economia e a produtividade do país.
Joane Orlando, uma mulher travesti, compartilha sua experiência de discriminação ao tentar uma vaga de professora. Sua história ilustra como o preconceito pode invalidar currículos e experiências profissionais, reforçando a urgência de mudanças nas políticas de inclusão no mercado de trabalho.
Thiago Jerohan, da ONG Gestos, aponta que a falta de acolhimento familiar e a dificuldade de acesso a empregos dignos levam muitos LGBTQIA+ a situações de vulnerabilidade social. Ele destaca a importância de leis mais robustas para combater a discriminação e garantir direitos trabalhistas a essa população.











