
Não são poucos os jogos de quase todos os gêneros que incluem como personagens um ou vários companheiros, antagonistas ou simples participantes de um universo virtual, normalmente com ações limitadas a poucas linhas de diálogo e uma interação mecânica, que beira o robótico.
Sem eles, entretanto, universos medievais, espaciais ou que tentam imitar o mundo real não seriam os mesmos, já que eles ajudam a “povoar” essa simulação.
Esses são os chamados NPCs, que em 2023 ganharam um significado completamente novo em redes sociais como o TikTok. A seguir, você conhece a origem desse termo e também o porquê de as bizarras transmissões ao vivo com presentes serem batizadas assim.
NPC é uma sigla que, em inglês, significa “non-playable character”, ou personagem não-jogável, em uma tradução livre para o português.
Eles são coadjuvantes ou figurantes digitais que interagem com você ou estão apenas presentes no cenário e são controladas totalmente pelo sistema do jogo — que pode ser uma inteligência artificial (IA) programada (normalmente chamada de “o computador” por jogadores mais veteranos) ou um simples padrão de ações e respostas.
Os NPCs fazem ações normalmente repetitivas e automáticas, tendo um objetivo bastante específico no jogo. Eles podem ser:
Apesar de ser hoje mais relacionado ao design de games, o conceito de NPC nasce em uma mídia analógica: os jogos de RPG de mesa, como Dungeons & Dragons.
Os mestres de uma aventura, para adicionar elementos de imersão a uma missão ou mostrar que uma taberna medieval estava cheia de figuras peculiares, com frequência criam personagens “não-jogáveis” que interagem com os protagonistas e trazem uma personalidade mais rasa de propósito, já que o seu papel é interagir em momentos pontuais.

Quando os jogos digitais surgem, os NPCs nascem praticamente junto dos personagens jogáveis com interface gráfica — é o caso de inimigos como os fantasmas coloridos de Pac-Man (1980), por exemplo, ou as naves alienígenas de Space Invaders (1978). Antes disso, no jogo baseado em comandos de texto Colossal Cave Adventure (1976), ou só Adventure, você se depara com inimigos que respondem aos seus comandos.
Entretanto, existe uma discordância nesse ponto: alguns autores e jogadores não consideram os adversários como NPCs, sendo parte de outra categoria. Eles também são “não-jogáveis”, mas parte de um terceiro grupo só de antagonistas.

Segundo essa classificação alternativa — que não é mais certa ou errada que a outra, apenas usa critérios diferentes — um NPC é aliado ou neutro, atuando apenas em diálogos ou ações simples.
Os NPCs, portanto, simulam uma sociedade, com comportamentos, diálogos e ações que fazem parte do universo que você está jogando, gerando mais realismo e imersão. Essa é a importância da presença desses elementos artificiais em um jogo.
A atuação dos NPCs envolve ações e diálogos que até parecem vir de vontade própria, mas na verdade são respostas “ativadas” após comandos do jogador. Pense quando você interage com um morador de um vilarejo em um RPG e ele sempre responde a mesma linha de diálogo, por exemplo.

Além disso, para economizar tempo e orçamento, ou então em jogos de sistemas mais limitados em memória, o NPC às vezes tem um único movimento do corpo, a mesma fala repetida à exaustão e uma única expressão facial. Essas características são importantes para compreender o uso atual dessa sigla nas redes sociais.
Com o passar das gerações e o desenvolvimento de engines mais complexas, com títulos mais ousados em IA, os NPCs adquirem personalidades mais plurais, com diálogos que podem variar de acordo com ações anteriores do personagem. É o caso de muitas das pessoas que você encontra em Starfield, com NPCs que podem tratar o protagonista com mais rigidez ou simpatia se ele for ou não um pirata espacial, por exemplo.

Em vários casos, NPCs parceiros acompanham você por boa parte do jogo, auxiliando em obstáculos ou no papel de pessoa que deve ser protegida a todo custo — como Ashley em Resident Evil 4 ou Ellie no primeiro The Last of Us, por exemplo. Ambas são jogáveis em um ou outro capítulo, mas essa é uma exceção.
Em outros, o encontro é pontual ou específico, como o Mercador do próprio RE4 ou a fada Navi, de The Legend of Zelda: Ocarina of Time, que aparece para dar dicas quando o jogador está em dúvida sobre o que fazer.
O que esses personagens não-jogáveis de games tem a ver com uma das grandes modas atuais das redes sociais?
Em algumas redes sociais, a sigla virou até xingamento: falar que alguém é um NPC significa chamar a pessoa de alguém incapaz de agir por conta própria, com personalidade rasa ou que repete sempre a mesma frase, por exemplo.
Além disso, as chamadas “lives de NPC” são essencialmente uma replicação da atuação de NPCs de jogos por pessoas de verdade, imitando da forma mais exagerada possível o comportamento robótico e repetitivo de personagens “controlados por computador”.
Durante as transmissões ao vivo, a pessoa fica parada em frente da câmera, como um NPC que não se move até que você selecione o personagem para iniciar uma ação ou diálogo. Ela só se mexe ao receber presentes na rede social — repetindo movimentos simples em um ciclo contínuo, igual em alguns jogos.
Como os presentes são pagos, tanto a rede social (em especial o TikTok) quanto a pessoa que age como NPC monetizam a partir do pagamento de espectadores, com transmissões de horas chegando a render dezenas de milhares de reais para os mais populares.
O TikTok já deu indícios de que vai reduzir o alcance e a compensação financeira dessas lives, mas até que isso aconteça muitos criadores de conteúdo já conseguiram um boa verba imitando esses elementos tão marcantes e importantes dos games.
Fontes: Oatuu, Net Influencer, Dexerto, Ludo
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Você já conhecia o conceito original de NPC nos jogos? E qual o seu favorito em um video-game? Aliás, já se deparou com uma dessas transmissões ao vivo nas redes sociais? Conte para a gente nos comentários!
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