A OpenAI afirmou que demitiu três pesquisadores de segurança por uma “violação significativa de confiança” e negou que a decisão tenha sido motivada por alertas sobre os riscos da inteligência artificial.
Jasmine Wang, Tomek Korbak e Mikita Balesni contestaram os possíveis impactos dos desligamentos em uma carta publicada na quinta-feira (8). No documento, eles demonstraram preocupação com a liberdade de manifestação dentro da empresa.
Segundo a OpenAI, uma investigação identificou violações das regras internas para o tratamento de informações confidenciais. A empresa apresentou essa justificativa em uma publicação no X, na sexta-feira (9), e afirmou que os alertas de segurança não motivaram as demissões.
Em carta enviada ao conselho e aos comitês de segurança da companhia, os pesquisadores disseram temer que a repercussão do caso faça outros funcionários evitarem manifestações sobre os riscos da tecnologia.
“Passamos a nos preocupar com o fato de que as comunicações internas e externas sobre nossas demissões estão fazendo com que nossos ex-colegas tenham medo de falar e agir de maneiras que, até a semana passada, eram parte integrante do trabalho na OpenAI”, escreveram.
Em setembro, os três pesquisadores haviam publicado mensagens no X defendendo que os laboratórios reduzissem o ritmo de desenvolvimento dos modelos mais avançados ou destacando preocupações relacionadas à segurança.
Apesar da divergência sobre os desligamentos, a OpenAI declarou concordar com o princípio de preservar a capacidade de monitorar esses modelos e afirmou que continua investindo recursos nessa área.
O episódio ocorre em meio ao aumento das preocupações com sistemas autônomos. Em julho, agentes de inteligência artificial da OpenAI realizaram um ataque cibernético contra a startup Hugging Face, segundo a CNBC. Outras empresas também relataram incidentes envolvendo agentes de IA.
Em setembro, os avanços nas capacidades dos modelos intensificaram os alertas de pesquisadores sobre riscos graves, incluindo ameaças à humanidade. Nos Estados Unidos, o debate impulsionou pedidos de regulamentação dos sistemas mais avançados.
Sam Altman, CEO da OpenAI, e Dario Amodei, CEO da Anthropic, estão entre os nomes que defenderam maior cautela. O presidente norte-americano Donald Trump, por outro lado, rejeitou a ampliação da regulamentação e classificou os temores sobre a segurança da IA como uma “farsa”.
O caso evidencia o desafio de conciliar as regras internas das empresas de inteligência artificial com a necessidade de discutir abertamente os riscos de modelos cada vez mais avançados.
A discussão ocorre enquanto a OpenAI se prepara para uma possível oferta pública inicial de ações (IPO), esperada para 2027.
Segundo informações confirmadas pela CNBC, a empresa informou a investidores que sua receita anualizada chegou a aproximadamente US$ 50 bilhões, cerca de R$ 211 bilhões, no fim de setembro. O valor ficou abaixo dos US$ 68 bilhões, aproximadamente R$ 341 bilhões, amplamente divulgados no mês anterior.
Na quinta-feira, ações da Nvidia, da Oracle, da CoreWeave e de outras empresas ligadas à inteligência artificial caíram após a divulgação de novos detalhes sobre a receita da OpenAI.











