A pesquisa realizada pelo Centro de Ensino e Pesquisa em Inovação (CEPI) da FGV Direito SP revela que cerca de 80% dos profissionais do setor jurídico no Brasil utilizam inteligência artificial generativa com alta frequência. Este dado destaca a crescente presença dessa tecnologia na rotina de trabalho dos advogados e demais operadores do direito.
O levantamento mostra que 58% dos entrevistados utilizam essas ferramentas diariamente, principalmente para atividades como pesquisa jurídica, automatização de tarefas repetitivas e elaboração de documentos. Essa adoção reflete uma transformação significativa nas práticas jurídicas, embora ainda existam desafios a serem enfrentados.
Desafios e Oportunidades
Apesar do avanço, 7% dos profissionais afirmam usar pouco ou nada de IA generativa, citando obstáculos como falta de conhecimento e acesso limitado às ferramentas. Muitos acreditam que a ausência de IA não compromete a qualidade das entregas, sugerindo que a tecnologia não é um indicador automático de desempenho.
Além disso, a pesquisa indica que mais da metade dos participantes não percebeu mudanças significativas na carga de trabalho. Enquanto 13% relataram um aumento nas atividades, 28% notaram uma redução. Isso sugere que a implementação da IA ainda está em um estágio inicial de adaptação no setor jurídico.
A especialista Ana Paula Camelo destaca que a supervisão humana e a responsabilidade profissional continuam sendo essenciais. A tecnologia deve ser vista como uma ferramenta de apoio, e não como um substituto para o julgamento humano, especialmente em um campo tão delicado quanto o jurídico.
Ferramentas e Acesso
O estudo também revela que 78% dos profissionais utilizam plataformas pagas, enquanto 22% optam por versões gratuitas. Embora as ferramentas especializadas sejam consideradas mais seguras, o custo elevado pode limitar seu uso, ampliando desigualdades entre organizações de diferentes portes.
No mercado de trabalho, 29% dos entrevistados expressaram preocupação com a possibilidade de substituição de funções jurídicas pela IA. No entanto, a maioria acredita que a tecnologia não substituirá o advogado, mas sim transformará as funções e competências exigidas no setor.
A capacitação surge como um desafio crucial, com 29% dos profissionais afirmando nunca ter participado de treinamentos sobre o tema. A necessidade de formação contínua é evidente, especialmente em um cenário em que a tecnologia avança rapidamente e exige novas habilidades dos profissionais do direito.











