O programa Sem Censura, da TV Brasil, trouxe à tona a história de mulheres que mudaram o futebol feminino no Brasil. No último dia 26, três ex-atletas pioneiras compartilharam suas experiências em um esporte que enfrentou proibições e desafios ao longo das décadas. O futebol feminino, que só foi regularizado em 1980, teve suas raízes no Esporte Clube Radar, fundado em 1932, em Copacabana.
As convidadas do programa foram Marilza Martins da Silva, conhecida como Pelezinha, Marisa Pires, a Caju, e Márcia Matos, a Russa. Elas não apenas representaram suas equipes, mas também foram fundamentais na construção da história do futebol feminino no Brasil. Caju, a primeira capitã da seleção brasileira, destacou a importância de suas conquistas e a luta por reconhecimento ao longo dos anos.
Desafios e Conquistas no Futebol Feminino
Durante a conversa, as atletas relembraram como, em 1988, receberam a notícia de que representariam o Brasil na seleção feminina na China. Para elas, vestir a camisa amarela com o emblema da CBF era um sonho que parecia distante. Pelezinha compartilhou sua emoção ao lembrar que, na época, o futebol feminino ainda era uma novidade e a ideia de um mundial parecia quase impossível.
Caju, por sua vez, comentou sobre a percepção equivocada de que os estádios estavam vazios durante suas partidas. Segundo ela, desde o primeiro Campeonato Sul-Americano em 1995, realizado em Uberlândia (MG), as arquibancadas sempre estiveram cheias. “As pessoas queriam ver as mulheres jogando bem e se surpreendiam com nosso talento”, afirmou.
As dificuldades financeiras também foram um tema abordado. Na época, as jogadoras não recebiam salários fixos, mas sim um valor por partida, o que tornava a situação ainda mais desafiadora. Caju ressaltou que a paixão pelo esporte foi o que as manteve firmes na luta por reconhecimento e igualdade.
Recentemente, uma lei sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva garantiu um pagamento de R$ 500 mil para as atletas que representaram o Brasil entre 1988 e 1991. Essa conquista, embora tardia, trouxe um alívio e uma sensação de justiça para as pioneiras. “Foram 38 anos esperando, mas finalmente conseguimos”, disse Caju, emocionada.
Márcia Matos, a Russa, também fez questão de reconhecer o trabalho de Marileia dos Santos, que atuou nos bastidores para garantir que as atletas pioneiras fossem beneficiadas pela nova lei. “Ela foi incansável e merece nosso agradecimento”, destacou Russa, reforçando a importância da união entre as jogadoras ao longo dos anos.











