Um estágio do foguete Falcon 9, da SpaceX, colidiu com a superfície da Lua na madrugada de quarta-feira (5), a uma velocidade de cerca de 8.700 km/h. O impacto, previsto por astrônomos meses antes, deve ter gerado uma cratera com aproximadamente 18 metros de diâmetro, oferecendo uma oportunidade única para os cientistas analisarem os efeitos de um impacto artificial no solo lunar.
Esse destroço, pesando cerca de quatro toneladas, estava em órbita desde janeiro de 2025, após participar do lançamento de duas missões para a Lua. A trajetória que levaria o estágio ao satélite natural foi previamente calculada e confirmada pela Nasa.
O estágio em questão pertence ao segundo estágio do Falcon 9, que tinha a função de aumentar a carga útil durante o lançamento. Durante a missão, o foguete enviou os módulos Blue Ghost-1, da Firefly Aerospace, e Hakuto-R, da iSpace. Enquanto o primeiro completou sua missão com sucesso, o segundo não conseguiu pousar.
Após cumprir sua função, o estágio ficou em órbita, sem combustível e sem capacidade de manobra. Com o tempo, a combinação da atividade solar e das forças gravitacionais alterou sua trajetória até que ele finalmente colidisse com a Lua.
O impacto ocorreu em uma região próxima às crateras Einstein e Bell, no lado visível da Lua. A Nasa estima que a cratera formada tenha entre 3,5 e 4 metros de profundidade e que a nuvem de poeira e fragmentos de rochas lançados não pôde ser observada da Terra devido às condições de iluminação no local.
O Lunar Reconnaissance Orbiter (LRO), sonda da Nasa que orbita a Lua desde 2009, analisará a área afetada. A agência planeja comparar imagens do local antes e depois do impacto para entender como o solo lunar reage a eventos desse tipo, algo que é difícil de estudar com impactos de meteoros. Com dados precisos sobre a massa, velocidade e ângulo do impacto, os cientistas esperam obter análises mais detalhadas e descobrir informações sobre a composição do subsolo lunar.
A Nasa já havia afirmado que o impacto não representava risco para a Terra, destacando que eventos desse tipo são relativamente comuns na Lua. No entanto, a diferença nesta ocorrência é que os pesquisadores puderam monitorar toda a trajetória do objeto, transformando um pedaço de lixo espacial em uma valiosa oportunidade de pesquisa.











