O preço do leite pago ao produtor apresentou estabilidade em maio de 2026, após uma sequência de altas, conforme apontou o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). Na “Média Brasil”, o valor foi de R$ 2,6617 por litro, com uma leve queda de 0,45% em relação a abril e um recuo de 3,8% na comparação com o mesmo mês do ano anterior, já descontada a inflação.
Esse cenário reflete ajustes regionais na oferta de leite cru, custos elevados de produção e variações climáticas que impactam a produtividade nas principais bacias leiteiras do Brasil. A estabilidade nos preços pode trazer um alívio momentâneo para os produtores, que enfrentam um cenário desafiador.
Dinâmica regional e seus impactos no mercado
O desempenho dos preços do leite variou entre as regiões produtoras em maio. Enquanto Sudeste e Centro-Oeste mantiveram preços mais elevados, o Sul do Brasil enfrentou pressão de baixa devido ao aumento da produção, favorecido por condições climáticas. Essa diferença regional impacta diretamente a rentabilidade dos produtores.
No Sudeste e Centro-Oeste, a produção restrita, influenciada pela sazonalidade e pela redução de investimentos, manteve a competição entre laticínios pela aquisição de leite cru. Isso ajudou a sustentar os preços, mesmo diante de um cenário de custos elevados.
Custos de produção e o cenário econômico
O Custo Operacional Efetivo (COE) da atividade leiteira registrou a primeira queda de 2026 em maio, com um recuo de 1,39% na média nacional. Apesar dessa redução, o indicador ainda acumula alta de 1,80% no ano, refletindo a pressão contínua de custos com nutrição animal e sanidade.
Os produtores devem ficar atentos a esses custos, que permanecem elevados, especialmente em um contexto de margens apertadas. A gestão eficiente dos recursos se torna essencial para garantir a sustentabilidade econômica das propriedades rurais.
Movimentações no comércio exterior e expectativas futuras
O comércio internacional de lácteos também apresentou movimentações significativas em maio, com importações brasileiras aumentando 3,58% em relação a abril. As exportações, por sua vez, avançaram 45,33% na comparação mensal, embora tenham recuado 21,42% em relação ao mesmo mês do ano anterior.
Para junho, a expectativa é de que as principais bacias leiteiras continuem apresentando comportamentos distintos. Enquanto o Sul pode enfrentar pressão de baixa, Sudeste e Centro-Oeste devem manter uma estabilidade, dependendo da dinâmica entre oferta e demanda e dos custos de produção.











